Sabe aquela história de que o Brasil precisa se abrir mais para o mundo? Pois é, um passo importante nessa direção acaba de ser dado: a União Europeia (UE) anunciou que vai começar a aplicar, de forma provisória, o acordo de livre comércio com o Mercosul. Mas o que isso significa para você, que está aí, pagando as contas e de olho no supermercado?

O que muda com o acordo?

Imagine que o Brasil e os países da UE (Alemanha, França, Itália, etc.) resolvessem fazer uma grande feira, onde cada um vende seus produtos sem precisar pagar tantas taxas de importação. É mais ou menos isso que o acordo Mercosul-UE vai fazer.

Segundo a Comissão Europeia, cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre as exportações do bloco serão eliminados. Isso significa que produtos europeus podem ficar mais baratos por aqui, e vice-versa. A medida tem como objetivo impulsionar o comércio entre os blocos e reduzir a dependência de outros mercados, como os Estados Unidos e a China.

Vantagem do pioneirismo

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a aplicação provisória visa garantir a chamada “vantagem do pioneirismo”. Em bom português, isso quer dizer que a UE quer sair na frente e colher os frutos do acordo o mais rápido possível.

O impacto no seu bolso

Agora, a pergunta que não quer calar: como isso afeta o seu dia a dia? A resposta não é tão simples, mas vamos lá:

  • Dólar: Um acordo como esse tende a fortalecer o real, já que aumenta a entrada de dólares no país. Se o dólar cai, teoricamente, produtos importados (e até alguns nacionais, que usam insumos importados) ficam mais baratos.
  • Inflação: Se o real se valoriza, a inflação tende a ficar mais controlada, já que os produtos importados pesam menos no índice de preços. Mas não espere milagres: outros fatores, como a política monetária do Banco Central e os preços das commodities, também influenciam a inflação.
  • Supermercado: Aqui, a coisa fica mais interessante. Com o acordo, alguns produtos europeus podem ficar mais acessíveis, como vinhos, queijos e azeites. Por outro lado, alguns produtos brasileiros, como carne e açúcar, podem ter mais facilidade para entrar no mercado europeu, o que pode gerar um aumento na demanda e, consequentemente, nos preços por aqui.

Nem tudo são flores

É importante lembrar que o acordo Mercosul-UE ainda enfrenta resistências, principalmente na França, onde os agricultores temem a concorrência com os produtos agrícolas brasileiros. Além disso, o acordo precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu para ser totalmente implementado.

De qualquer forma, a aplicação provisória já é um sinal de que a União Europeia está disposta a avançar com o acordo. Resta saber como o Brasil vai aproveitar essa oportunidade para impulsionar sua economia e melhorar a vida dos brasileiros.

No Brasil, a Câmara dos Deputados já aprovou o acordo, que agora segue para o Senado. Uruguai e Argentina também já ratificaram o texto.

Ibovespa e o acordo

Especialistas do Bradesco acreditam que a assinatura definitiva do acordo pode ter impacto positivo no Ibovespa, a bolsa de valores brasileira, já que sinaliza um ambiente de maior abertura comercial e investimentos no país.

Para ficar de olho: na semana que vem, o Banco Central divulga a ata da última reunião do Copom, e o IBGE divulga o IPCA-15, uma prévia da inflação oficial. Fique ligado aqui no The Brazil News para não perder nada!