Se você estava sonhando com as próximas férias ou planejando aquela viagem de negócios, prepare-se: o preço das passagens aéreas pode estar prestes a decolar. O motivo? O querosene de aviação (QAV), combustível essencial para o setor aéreo, acaba de ficar bem mais caro.
Por que o QAV subiu tanto?
Na quarta-feira, a Petrobras (PETR4) anunciou um aumento de mais de 50% no preço médio do QAV vendido às distribuidoras. Essa mudança reflete o cenário global, com o petróleo pressionado pela guerra no Oriente Médio. Para as companhias aéreas, o impacto é direto: o combustível, que já representava uma fatia considerável dos custos, agora pesa ainda mais no orçamento.
Para entender a dimensão, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) estima que o QAV agora responde por cerca de 45% dos custos operacionais das empresas. Para ilustrar a dimensão, imagine que quase metade dos custos para manter um avião voando se destina apenas ao combustível. Com a alta, essa conta fica ainda mais salgada.
O que isso significa para o seu bolso?
A consequência mais imediata é que as empresas aéreas devem repassar parte desse aumento para o preço das passagens. Especialistas ouvidos pelo G1 estimam que esse repasse pode chegar a 20%. Ou seja, aquela passagem que você estava de olho e custava R$ 500 pode passar a custar R$ 600. É um impacto considerável no custo da viagem, sem dúvida.
Mas calma, nem tudo está perdido. Segundo especialistas, ainda não é possível saber se esse repasse será imediato ou gradual. Vai depender da ocupação dos voos e da estratégia de cada companhia. E, claro, da sua capacidade de pesquisar e encontrar as melhores ofertas.
Andre Castelini, sócio da Bain&Company, disse ao G1 que as empresas podem até cortar voos menos rentáveis, o que, ironicamente, pode afetar a oferta e os preços. Se menos gente voar, menos aviões serão necessários, mas a disponibilidade também diminui.
O que o governo está fazendo a respeito?
Diante desse cenário, o governo federal está correndo para tentar amenizar o impacto. O Ministério de Portos e Aeroportos já enviou uma proposta ao Ministério da Fazenda com algumas sugestões, como a redução temporária de impostos sobre o QAV, do IOF sobre operações financeiras das empresas aéreas e do Imposto de Renda sobre operações de leasing de aeronaves.
É uma medida paliativa? Possivelmente. Mas qualquer alívio fiscal pode ajudar as empresas a respirar e evitar um aumento ainda maior nas passagens. Resta saber se essas medidas serão implementadas e qual será o impacto real no preço final para o consumidor.
Como se planejar para não perder o voo (e nem a carteira)
Enquanto o governo e as empresas aéreas buscam soluções, o que você pode fazer para não ter que cancelar seus planos de viagem? A resposta é simples: planejamento.
- Antecipe a compra: Quanto antes você comprar a passagem, maiores as chances de encontrar preços mais em conta.
- Seja flexível com as datas: Voar durante a semana ou em horários menos procurados pode render bons descontos.
- Use e abuse dos programas de fidelidade: Milhas aéreas são sempre uma boa pedida para economizar.
- Pesquise em diferentes sites e aplicativos: Compare os preços de diferentes companhias e agências de viagem.
- Considere voos com conexões: Voos diretos costumam ser mais caros. Se você não tiver pressa, um voo com conexão pode ser uma opção mais econômica.
Lembre-se: o setor aéreo está passando por um momento de turbulência, mas com planejamento e pesquisa, é possível encontrar alternativas para não deixar seus sonhos de viagem decolarem junto com o preço do QAV.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.