A semana está sendo de agenda cheia para o Brasil no cenário internacional, com o país buscando fortalecer laços e abrir portas importantes para a nossa economia. Parece coisa distante, mas cada acordo, cada parceria, no fim das contas, tem potencial para mudar a sua vida — seja no preço da comida, nas vagas de emprego ou na qualidade dos serviços.

Entre visitas diplomáticas, bilhões em investimentos verdes e negociações comerciais, o governo federal vem costurando uma rede de parcerias que busca dar um novo fôlego ao nosso Comércio Exterior e posicionar o Brasil de forma mais estratégica no tabuleiro global. Vamos entender o que rolou e como isso pode impactar o seu dia a dia.

Portugal: Mais que laços históricos, um parceiro tecnológico

Sabe aquela história de que ‘amigo é coisa para se guardar’? Pois é, a relação entre Brasil e Portugal está indo além da tradicional troca de saudades. Nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Portugal e celebrou um superávit comercial de US$ 2,05 bilhões com o país ibérico em 2025. Para você ter uma ideia, isso significa que vendemos muito mais para lá do que compramos, o que é ótimo para a balança comercial brasileira.

No ano passado, a corrente de comércio entre as duas nações girou em torno de US$ 4,55 bilhões, com as exportações brasileiras alcançando US$ 3,3 bilhões e as importações somando US$ 1,25 bilhão. Mas o mais interessante, como destacou o presidente Lula, é que essa troca está ficando mais sofisticada, com um foco crescente em produtos de tecnologia, especialmente da indústria aeronáutica. Isso acontece muito por conta dos investimentos da Embraer (EMBR3) em Portugal.

Quando a gente vende produtos com mais tecnologia, o ganho para o Brasil é maior. Significa mais empregos qualificados aqui, mais pesquisa e desenvolvimento, e um reconhecimento da nossa capacidade de inovar. É como se, em vez de só vender a laranja, a gente passasse a vender também o suco de laranja pronto, com a nossa marca e tecnologia.

Mercosul-UE: A novela de US$ 22 bilhões que insiste em ter final feliz

E já que falamos em abrir portas, um dos maiores desafios diplomáticos do Brasil continua sendo a concretização do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Durante a visita a Portugal, Lula reforçou a importância de selar esse pacto e elogiou o empenho português para que isso aconteça.

O presidente brasileiro jogou luz no potencial desse acordo, que, segundo ele, abriria um mercado de US$ 22 bilhões. Isso não é pouca coisa! Imagine a seguinte cena: é como se a gente estivesse há anos negociando para abrir uma nova filial de um negócio promissor em um dos maiores shoppings do mundo. O impacto poderia ser grande para muitos setores da nossa economia, desde a indústria até o agronegócio.

Lula também aproveitou para rebater as críticas de alguns parlamentares europeus e, principalmente, de agricultores franceses que veem o agronegócio brasileiro como uma ameaça. A defesa do presidente é que as agriculturas do Brasil e da União Europeia são mais “complementares” do que “competitivas”. Ou seja, podemos vender o que eles precisam e comprar o que eles produzem, sem necessariamente um “roubar” o mercado do outro.

Se esse acordo sair do papel, a expectativa é que a gente veja uma maior oferta de produtos importados da Europa, o que pode dar uma "segurada" nos preços por aqui e até mesmo baratear alguns itens que hoje são mais caros. Por outro lado, nossos produtores teriam mais facilidade para exportar, impulsionando a produção e gerando mais empregos.

Alemanha e o bilhão verde: Um freio nas mudanças climáticas

Mudando o foco para a Europa Central, a semana também trouxe uma excelente notícia da Alemanha, que demonstra como o Brasil está se tornando um player cada vez mais relevante na agenda climática global. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) acaba de levantar R$ 4,1 bilhões (equivalente a 700 milhões de euros) com o banco de fomento alemão KfW e outras instituições europeias. Essa grana será destinada ao Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo Clima) e a outros projetos de mobilidade verde no Brasil.

É o primeiro aporte alemão para o Fundo Clima, um instrumento criado lá em 2009 que é essencial para financiar iniciativas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Desse montante, R$ 3 bilhões (cerca de 500 milhões de euros) vão direto para o Fundo Clima e R$ 1,1 bilhão (cerca de 200 milhões de euros) para projetos de mobilidade, como transportes mais sustentáveis.

Pense no Fundo Clima como uma poupança do país para investir num futuro mais verde e mais barato. Com esses recursos, podemos ver mais projetos de energias renováveis (solar, eólica), de reflorestamento e de transporte público com menor emissão de poluentes. Para você, isso pode se traduzir em cidades com ar mais limpo, talvez uma conta de luz mais em conta no futuro e até mais oportunidades de trabalho em setores que hoje estão em ascensão, como o de energias limpas.

Segundo apuração do InfoMoney Economia, no acordo para o Fundo Clima estão envolvidos, além do KfW, a Agence Française de Développement (AFD), a Cassa Depositi e Prestiti S.p.A. (CDP) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Isso mostra a confiança internacional no potencial do Brasil para liderar a agenda verde.

Metais críticos: Mais valor na nossa mineração

Ainda na Alemanha, o chanceler alemão Friedrich Merz ressaltou o grande potencial do Brasil no fornecimento de metais críticos – aqueles minerais essenciais para tecnologias de ponta, como carros elétricos e turbinas eólicas. E o que é melhor: ele sinalizou que a Alemanha está disposta a fornecer a tecnologia necessária para que a gente possa extrair esses metais de forma mais eficiente e sustentável.

O presidente Lula, por sua vez, deixou claro que, embora o Brasil esteja ampliando investimentos em minerais essenciais e terras raras, o governo não aceitaria um modelo que nos reduzisse a meros fornecedores de matéria-prima. A ideia é agregar valor por aqui.

Essa é uma sacada importante. Em vez de ser só o quintal de onde se tira a matéria-prima, a ideia é que o Brasil se torne a fábrica que transforma essa matéria-prima em algo com mais valor. Para o brasileiro, isso significa mais do que só empregos na mineração: abre portas para a criação de indústrias de transformação, que pagam melhores salários e exigem mais qualificação. É um passo importante para diversificar a nossa economia e torná-la menos dependente das oscilações do preço das commodities.

Parcerias que constroem o futuro

No final das contas, o que fica claro é que o Brasil está se movimentando no cenário internacional em várias frentes. Seja fortalecendo parcerias históricas como com Portugal, destravando grandes acordos comerciais como o Mercosul-UE, ou atraindo investimentos bilionários para a agenda ambiental e tecnológica com a Alemanha, a busca é por uma economia mais robusta, diversificada e com maior valor agregado.

Essa teia de Acordos Internacionais e Investimentos Brasil não é só assunto de diplomatas ou de grandes empresários. Ela tem o poder de influenciar desde o preço da gasolina, passando pelas oportunidades de emprego em novos setores, até a própria qualidade do ar que respiramos. Ficar de olho nesses movimentos é entender como o nosso país se posiciona para garantir um futuro mais promissor para todos nós.