Se você abriu a conta de luz e levou um susto, prepare-se: ela pode ficar ainda mais salgada. O governo acaba de fazer um leilão gigante de energia, contratando novas usinas para garantir que não falte luz nas nossas casas e empresas. Até aí, tudo bem. O problema é que essa conta toda vai chegar para nós, consumidores.
A conta de R$ 40 bilhões na sua fatura
Na prática, o Brasil fechou contratos para 19 gigawatts (GW) de energia, vindos de usinas termelétricas e hidrelétricas. Para você ter uma ideia, é como se tivéssemos adicionado quase 10% de toda a capacidade de produção de energia do país. Empresas como Petrobras (PETR4), Eneva (ENEV3), Axia e Copel (CPLE3) ganharam contratos nessa jogada.
Só que essa garantia de energia tem um preço: cerca de R$ 40 bilhões por ano, que serão adicionados às contas de luz, segundo o Money Times. Representantes dos consumidores já estão chiando, mas o governo jura que espera que as novas usinas operem com mais “eficiência”, minimizando o impacto.
É como se você contratasse um seguro extra para o carro: você fica mais tranquilo, mas paga mais caro por isso. Resta saber se essa tranquilidade vai valer a pena no bolso.
Por que essa pressa toda?
A explicação oficial é garantir o fornecimento de energia. Com o crescimento das energias eólica e solar, que dependem do vento e do sol, o governo quer ter uma “reserva” mais confiável, vinda de usinas que podem gerar energia o tempo todo. Essa estratégia visa evitar apagões e garantir que a economia continue funcionando.
Mas, para quem acompanha o setor energético, essa medida também pode ser vista como uma forma de “blindar” o país de possíveis crises. Afinal, energia é um insumo básico para tudo: da indústria ao comércio, passando pelas nossas casas.
Crise do diesel à vista?
E por falar em crise, tem outra bomba-relógio no setor energético: o preço do diesel. Como mostrou o G1, o preço médio do litro nos postos de combustíveis já subiu mais de 11% em uma semana, passando de R$ 6,08 para R$ 6,80. E a tendência é piorar.
A culpa é da guerra no Oriente Médio, que fez o preço do petróleo disparar. O Irã, que controla o Estreito de Ormuz (por onde passa 20% do petróleo mundial), está com a corda toda. Com o barril de petróleo nas alturas, a Petrobras está numa sinuca de bico: repassar o aumento para o consumidor ou segurar os preços e diminuir seus lucros?
Essa novela já é velha conhecida dos brasileiros. Em ano de eleição, o governo tenta de tudo para evitar um repique da inflação, que corrói o poder de compra e irrita o eleitor. Mas segurar o preço do diesel na marra pode ter consequências graves para a Petrobras, que já sofreu no passado com políticas de preços artificiais.
O que vem por aí?
O cenário é incerto. A expectativa é que o governo anuncie novas medidas para tentar conter o preço do diesel, como um pacote de incentivos fiscais ou até mesmo uma indenização contra distribuidoras e postos, segundo apurou o G1. Mas a verdade é que, enquanto a guerra no Oriente Médio não acabar, a pressão sobre os preços dos combustíveis vai continuar.
No fim das contas, o que podemos esperar é um custo de vida mais alto. Com a conta de luz mais cara e o diesel nas alturas, tudo fica mais caro: do supermercado ao transporte, passando pelos serviços. Resta torcer para que o governo encontre um equilíbrio entre garantir o fornecimento de energia e não apertar ainda mais o nosso bolso.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.