Sextou com um misto de notícias para quem acompanha as contas públicas. De um lado, o governo comemora o aumento da arrecadação, impulsionado pela famigerada 'taxa das blusinhas'. De outro, economistas acendem o sinal de alerta para o crescimento 'automático' dos gastos, que pode colocar em risco a saúde financeira do país.

Arrecadação em alta: um respiro (será?)

Janeiro começou com o pé direito para o governo federal no quesito arrecadação. A Receita Federal contabilizou R$ 425 milhões vindos do imposto de importação sobre encomendas internacionais, um belo aumento de 25% em relação ao mesmo período do ano passado.

Essa grana extra é fruto da chamada 'taxa das blusinhas', que, como mostrou o G1, já rendeu R$ 5 bilhões em 2025. Pode parecer pouco perto do tamanho do orçamento, mas cada centavo ajuda a equilibrar as contas e evitar um endividamento ainda maior.

E por falar em 'taxa das blusinhas', a polêmica continua. Enquanto o governo avalia revogar a medida, especialmente em ano eleitoral, o vice-presidente Geraldo Alckmin defende a taxação como forma de proteger a indústria nacional, o emprego e a renda por aqui. É aquela velha história: de um lado, o consumidor que quer pagar menos; do outro, o produtor que precisa de condições para competir.

Gastos 'turbinados': a bomba-relógio

Ainda que a arrecadação esteja dando um gás, a preocupação com os gastos públicos permanece. Um relatório recente do BTG Pactual, divulgado pelo Money Times Economia, aponta que as despesas do governo federal podem saltar R$ 215 bilhões até 2026. O motivo? A indexação.

Funciona assim: diversas despesas estão atreladas a mecanismos que as fazem crescer automaticamente, acompanhando a inflação, a arrecadação ou o crescimento econômico. É como se o orçamento tivesse 'vida própria', expandindo-se sem que o governo precise fazer nada. A retomada da política de valorização do salário mínimo e as mudanças nos pisos de saúde e educação são alguns dos fatores que contribuem para essa 'turbinada' nos gastos.

E qual o problema disso? Simples: quanto mais o governo gasta, maior a necessidade de arrecadar. E se a arrecadação não acompanhar o ritmo dos gastos, o país se endivida ainda mais. E aí, quem paga a conta? As famílias brasileiras, claro, seja por meio de impostos mais altos ou da inflação, que corrói o poder de compra.

Alívio no horizonte? Precatórios em queda

Nem tudo são más notícias. A Folha Mercado noticiou que os gastos com sentenças judiciais (os chamados precatórios) devem ter uma queda de R$ 27 bilhões em 2027. Essa redução, segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento, é resultado do aumento no número de acordos judiciais, o que alivia a pressão sobre a dívida pública.

Mas calma, que não é para soltar fogos ainda. Essa melhora pode ser temporária, e o governo teme que os gastos voltem a subir nos anos seguintes. É preciso, portanto, manter o controle e buscar outras formas de conter o avanço das despesas.

O que tudo isso significa para você?

No fim das contas, o que acontece em Brasília impacta diretamente o seu dia a dia. Uma política fiscal descontrolada, com gastos excessivos e endividamento crescente, pode levar a juros altos, inflação persistente e, consequentemente, à perda do poder de compra. Se a Selic sobe, por exemplo, é como se o freio da economia fosse acionado - tudo fica mais caro e as pessoas gastam menos.

É por isso que é importante acompanhar de perto as discussões sobre as contas públicas e cobrar responsabilidade dos nossos governantes. Afinal, o futuro da economia brasileira está nas mãos de quem administra o dinheiro do país. E esse dinheiro, no fim das contas, é nosso.