A China, motor da economia global, parece ter dado um respiro no primeiro trimestre de 2026. Mas, como sempre acontece em economia, nem tudo são flores. A crise no Oriente Médio acende um sinal de alerta e pode esfriar esse ritmo, com reflexos que chegam até o Brasil. Vamos entender essa história?
O gigante acorda?
A expectativa é que o crescimento da China tenha acelerado para 4,8% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com os 4,5% do último trimestre de 2025. Esse número, resultado de uma pesquisa da Reuters com 50 economistas, indica uma retomada impulsionada, principalmente, pelas exportações chinesas.
Para quem não acompanha de perto, pode parecer só mais um número. Mas, na prática, o crescimento da China significa mais demanda por produtos brasileiros, como minério de ferro e soja. Se a China compra mais, as empresas brasileiras vendem mais, gerando empregos e renda por aqui.
A sombra da guerra
O problema é que essa recuperação pode ser freada pela guerra no Oriente Médio. O conflito já está impactando os preços do petróleo e, segundo a pesquisa da Reuters, pode prejudicar os lucros das empresas chinesas e diminuir a demanda externa.
É como se a China estivesse acelerando o carro em uma estrada com muitos buracos. Mesmo com a expectativa de crescimento no primeiro trimestre, a previsão é que o ritmo diminua nos próximos meses, com uma expansão de 4,6% para o ano todo. É menos do que os 5% registrados no ano passado, mas ainda dentro da meta do governo chinês, que é de 4,5% a 5%.
E o Brasil com isso?
Ainda que a China tenha conseguido, até agora, absorver o choque da guerra com poucos danos – impulsionada pelas suas reservas de petróleo e controle de preços – os economistas alertam que a alta persistente nos preços do petróleo pode aumentar os custos de produção e corroer os lucros, em um momento que a demanda já está fraca.
Para o Brasil, a situação é delicada. Se a China cresce menos, compra menos do Brasil. E se o petróleo fica mais caro, a inflação brasileira pode subir, já que o transporte de mercadorias e a produção de alguns produtos dependem do combustível.
E não para por aí. A guerra no Oriente Médio também gera incerteza nos mercados financeiros. O fracasso nas negociações entre EUA e Irã, noticiado pela InfoMoney Economia, elevou a aversão ao risco e impulsionou o dólar para cima. Um dólar mais caro significa que os produtos importados ficam mais caros para o brasileiro, e a inflação pode dar um novo susto.
O que esperar?
É difícil prever o futuro, mas o cenário atual exige atenção. A economia global está interligada, e os problemas em um lugar do mundo podem ter consequências em outro.
Por enquanto, o que podemos fazer é acompanhar de perto os acontecimentos e nos preparar para possíveis turbulências. Afinal, em tempos de incerteza, a informação é a nossa melhor ferramenta.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.