Domingo é dia de repensar a semana, planejar a próxima e, claro, entender como a economia afeta o nosso dia a dia. E a notícia não é das melhores: o final de 2025 trouxe uma freada no varejo e a dívida pública segue em rota de colisão. O que isso significa? Menos dinheiro no seu bolso e um futuro incerto para a economia brasileira.
Varejo: o termômetro da economia acende a luz amarela
Sabe quando você vai ao supermercado e sente que o dinheiro não rende como antes? Pois é, os números do varejo confirmam essa sensação. As vendas no varejo brasileiro recuaram 0,4% em dezembro, segundo dados recentes. Pode parecer pouco, mas essa queda é um sinal de que o consumidor está mais cauteloso. E não é para menos: com a inflação corroendo o poder de compra e os juros ainda altos, a prioridade é pagar as contas.
Apesar do crescimento de 1,6% no acumulado de 2025, o ritmo é bem menor do que o observado em 2024, quando o setor teve um boom de 4,1%. Segundo o IBGE, parte dessa desaceleração pode ser explicada pela antecipação das compras de Natal na Black Friday. Mas será que é só isso? A verdade é que a política monetária restritiva, com juros elevados, também tem um peso importante nessa conta.
Black Friday salvou o ano (ou só adiou o problema?)
Como apontou o gerente da pesquisa do IBGE, Cristiano Santos, muita gente aproveitou os descontos da Black Friday e antecipou as compras de Natal. Em novembro, as vendas até subiram 1,0%. Mas essa estratégia, que pode ter ajudado a impulsionar o varejo em um primeiro momento, parece ter tido um efeito colateral: um dezembro mais fraco, com menos gente disposta a gastar.
Dívida pública: um problema crescente que exige atenção urgente
Enquanto o varejo patina, outro problema ganha força: a dívida pública. A Folha de S.Paulo publicou recentemente uma análise sobre como o aumento da dívida pública coloca em xeque o futuro do arcabouço fiscal, a regra criada pelo ministro Fernando Haddad para tentar controlar as contas do país. É como construir um prédio em areia movediça: a qualquer momento, a estrutura pode se deteriorar.
O arcabouço fiscal, que permite um crescimento das despesas limitado a 2,5% acima da inflação ao ano, já nasceu sob desconfiança. E, para piorar, algumas políticas do governo, como os aportes para turbinar o crédito subsidiado, acabam furando o teto de gastos e comprometendo ainda mais as contas públicas.
IGP-10: uma (pequena) luz no fim do túnel?
Nem tudo são más notícias. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-10), que mede a inflação no atacado, caiu 0,42% em fevereiro, de acordo com a FGV. Essa queda pode indicar um alívio nos preços para o consumidor final nos próximos meses. Mas calma, não vamos comemorar antes da hora. É preciso acompanhar de perto os próximos dados para confirmar se essa tendência vai se manter.
Afinal, a inflação ainda é um peso que corrói o poder de compra do brasileiro. Uma inflação de 5%, por exemplo, significa que o que custava R$ 100 no ano passado, hoje custa R$ 105. E essa diferença, no final das contas, faz toda a diferença no orçamento familiar.
E o que esperar para 2026?
O cenário econômico para 2026 ainda é incerto. A retomada do crescimento vai depender de vários fatores, como a aprovação de reformas, o controle da inflação e a estabilidade da dívida pública. Além disso, o cenário internacional também pode influenciar, com a guerra na Ucrânia e as tensões geopolíticas globais.
O que podemos fazer, como cidadãos, é acompanhar de perto as notícias, cobrar os nossos representantes e fazer escolhas conscientes. Afinal, a economia é um jogo que se joga em equipe, e cada um de nós tem um papel importante a desempenhar.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.