Começamos fevereiro de 2026 com um misto de sentimentos em relação à economia. De um lado, o mercado de trabalho mostra sinais de força, com desemprego em baixa e renda em alta. Do outro, o governo ainda patina para equilibrar as contas, e o cenário internacional anda pra lá de instável. A pergunta que não quer calar é: como tudo isso afeta o seu bolso?

Déficit Fiscal: a Conta Que Não Fecha

Ainda não é dessa vez que o governo vai conseguir zerar o déficit. O setor público consolidado fechou o ano com um déficit que ultrapassou 8% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo relatório do Goldman Sachs, essa situação deve persistir nos próximos anos. Para quem não está acostumado com esses números, o déficit significa que o governo está gastando mais do que arrecada. E, como numa casa, quando a conta não fecha, alguém tem que pagar – e esse alguém, no fim das contas, somos nós.

O Goldman Sachs ainda aponta que a dificuldade em controlar os gastos e um arcabouço fiscal considerado frágil dificultam o controle da inflação. É como tentar apagar um incêndio com um copo d'água: o esforço é válido, mas insuficiente para resolver o problema.

Dívida Pública em Ascensão

Se o governo gasta mais do que arrecada, a consequência inevitável é o aumento da dívida pública. A dívida bruta encerrou 2025 em quase 79% do PIB, um salto em relação aos 71,7% de 2022. E a tendência é de alta. Para entender a dimensão do problema, imagine que o PIB é a sua renda anual, e a dívida pública é o quanto você deve no cartão de crédito. Se a dívida sobe mais rápido que a renda, uma hora a situação fica insustentável.

Incerteza Global: Venezuela, Tarifas e a Groenlândia?

Não bastasse a turbulência interna, o cenário internacional também não anda ajudando. O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) da FGV disparou em janeiro, atingindo o maior nível desde abril de 2025. E o motivo? Uma combinação explosiva de fatores: tensões geopolíticas, políticas tarifárias dos Estados Unidos e até discussões sobre a Groenlândia. É como se o mundo estivesse virando um barril de pólvora, e qualquer faísca pode gerar um estrago.

De acordo com Anna Carolina Gouveia, economista da FGV Ibre, a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, as tarifas americanas e as tensões com líderes europeus contribuíram para aumentar a instabilidade global. Para o bolso do brasileiro, isso significa mais pressão sobre o câmbio, inflação e juros, o que pode encarecer produtos importados e dificultar o acesso ao crédito.

O Fator Kevin Warsh e a Política Monetária Americana

E por falar em Estados Unidos, as atenções se voltam para o Federal Reserve (FED), o Banco Central americano. A recente nomeação de Kevin Warsh para o conselho diretor reacendeu o debate sobre a futura política monetária do país. Warsh, conhecido por suas posições mais conservadoras, pode influenciar as decisões do FED em direção a um aperto monetário mais agressivo, o que teria impacto direto no Brasil. Se os juros americanos sobem, o dólar tende a se valorizar, pressionando ainda mais a nossa moeda e alimentando a inflação.

Luz no Fim do Túnel: Emprego e Renda em Alta

Nem tudo são más notícias. O mercado de trabalho segue aquecido, com a taxa de desemprego em patamares historicamente baixos (5,4%). A renda média real do brasileiro também subiu, batendo recorde e chegando a R$ 3.613. É como se, em meio à crise, o brasileiro estivesse encontrando formas alternativas de gerar renda.

Economistas da XP destacam que o mercado de trabalho resiliente e a população ocupada em crescimento indicam que essa tendência deve continuar. Com mais gente empregada e ganhando mais, a tendência é que o consumo se mantenha aquecido, o que pode ajudar a impulsionar a atividade econômica em 2026.

Estatais: Déficit Controlado, Mas Ainda Déficit

As empresas estatais também apresentaram um déficit em 2025, mas dentro do previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O resultado primário das estatais consideradas pelo Ministério da Gestão e Inovação foi de R$ 5,1 bilhões. Esse déficit foi puxado, principalmente, pelos investimentos realizados pelas empresas, como os da Emgepron.

E o Que Isso Significa Para Você?

Em resumo, o cenário econômico de 2026 é um grande ponto de interrogação. O governo precisa urgentemente colocar as contas em ordem para evitar que a dívida pública continue crescendo e para garantir a credibilidade do país. O cenário internacional, com suas incertezas e tensões, exige cautela e atenção redobrada. A política monetária do Banco Central Americano é uma grande preocupação, e as decisões tomadas pelo FED vão influenciar diretamente o nosso dia a dia. Apesar disso, o mercado de trabalho aquecido e a renda em alta dão um respiro para o consumidor, que pode se sentir um pouco mais confiante para gastar e investir.

No fim das contas, é como navegar em um mar turbulento: é preciso estar atento às ondas, ajustar as velas e manter o curso para chegar ao porto seguro.