Sabe aquela sensação de alívio misturada com um "mas…"? É mais ou menos o que a taxa de desemprego estável em 5,4% representa para o brasileiro hoje. O número, divulgado nesta quinta-feira pelo IBGE, mostra que o mercado de trabalho não piorou, mas também não dá para dizer que a situação está folgada. Vamos entender o porquê.

O que os números nos dizem?

O IBGE apurou que 5,4% da população economicamente ativa estava desempregada no trimestre encerrado em janeiro. Isso significa que cerca de 5,9 milhões de brasileiros estão em busca de uma oportunidade. A boa notícia é que o número se manteve praticamente igual ao do trimestre anterior (agosto a outubro de 2025). A má notícia? A estabilidade não significa necessariamente que a vida está mais fácil.

Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, explicou que essa estabilidade já era esperada, em razão do período de fim de ano, onde há demissões de trabalhadores temporários.

Menos gente procurando emprego?

Um ponto importante a ser observado é que, em relação ao mesmo período do ano passado, houve uma queda de 1,1 ponto percentual na taxa de desemprego (era 6,5% entre novembro de 2024 e janeiro de 2025). Isso representa 1,2 milhão de pessoas a menos buscando trabalho. Será que todo mundo conseguiu emprego? Nem sempre.

É preciso considerar que a população ocupada, ou seja, o número de pessoas trabalhando, alcançou 102,7 milhões. Houve um aumento de 1,7% em um ano, com a criação de 1,7 milhão de ocupações. Mas, ao mesmo tempo, muita gente pode ter simplesmente desistido de procurar emprego, engrossando as estatísticas da "população não economicamente ativa".

Por que a estabilidade não é suficiente?

Apesar da taxa de desemprego relativamente baixa, a qualidade do emprego ainda é um desafio. Muitos brasileiros estão trabalhando em vagas informais, sem carteira assinada e sem os direitos trabalhistas garantidos. Além disso, a renda média do trabalhador ainda não acompanhou a inflação dos últimos anos, o que impacta diretamente no poder de compra.

Para entender melhor, imagine a seguinte situação: você consegue um emprego, mas o salário é o mesmo de dois anos atrás. Só que o preço do aluguel, da comida e da gasolina subiram. No fim das contas, você está trabalhando, mas continua com dificuldades para fechar as contas no fim do mês.

A balança comercial e o mercado de trabalho

Um dos fatores que tem sustentado o mercado de trabalho brasileiro é o bom desempenho da balança comercial, impulsionado pelas exportações. O Brasil tem se destacado como um grande exportador de commodities agrícolas e minerais, como soja, minério de ferro e petróleo.

Quando as exportações vão bem, as empresas que atuam nesses setores tendem a contratar mais. Além disso, o superávit comercial (quando o país exporta mais do que importa) contribui para fortalecer o real, o que, em tese, ajuda a controlar a inflação.

O que esperar para o futuro?

Economistas apontam que o mercado de trabalho deve continuar resiliente em 2026, mas sem grandes euforias. A expectativa é que a taxa de desemprego apresente leves altas ao longo do ano, em um movimento de correção após atingir patamares muito baixos. Se a Selic subir, como alguns especialistas preveem, é como se o freio da economia fosse acionado, impactando na geração de novos empregos.

É importante lembrar que o cenário econômico global também influencia o mercado de trabalho brasileiro. Uma desaceleração da economia mundial, por exemplo, pode reduzir a demanda por produtos brasileiros, impactando negativamente as exportações e, consequentemente, o emprego.

Em resumo, a taxa de desemprego estável em 5,4% é um retrato de um mercado de trabalho que ainda enfrenta desafios. A geração de empregos de qualidade e o aumento da renda são cruciais para garantir que o brasileiro sinta, de fato, os efeitos positivos da economia no seu dia a dia.