Sabe quando você tenta resolver um problema financeiro pegando dinheiro emprestado? No começo parece ótimo, mas a dívida continua lá, esperando para ser paga. A política fiscal do governo tem sido um pouco assim: para aliviar um lado, mexe em outro, e no fim das contas, a conta chega para alguém – muitas vezes, para você.

O alívio (temporário) no diesel

A mais recente manobra do governo envolve o diesel. Para evitar que o preço do combustível exploda, o governo decidiu zerar as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e ainda dar uma ajudinha extra, as chamadas subvenções. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, essa brincadeira vai custar R$ 30 bilhões aos cofres públicos. É dinheiro que deixa de entrar.

Na prática, essa isenção representa um alívio de 32 centavos por litro na refinaria, somado a uma subvenção de mais 32 centavos. Um abatimento total de 64 centavos por litro, o que pode parecer ótimo na hora de abastecer. Mas, como diz o ditado, não existe almoço grátis.

De onde vem o dinheiro?

Para compensar essa grana que está deixando de entrar, o governo criou um imposto de 12% sobre as exportações de petróleo. A ideia, segundo Haddad, é que esse imposto cubra totalmente o rombo causado pela renúncia fiscal no diesel. A justificativa é dupla: além de arrecadar, o governo quer incentivar as refinarias nacionais a processarem mais petróleo por aqui, em vez de simplesmente exportar a matéria-prima.

A promessa é que essas medidas sejam temporárias. “Nós esperamos que seja um período curto de tempo, como aconteceu no ano de 2023”, disse Haddad, segundo o InfoMoney. Mas a gente sabe como essas coisas funcionam, né? O que é temporário no Brasil, muitas vezes, vira permanente.

E o que isso tem a ver com você?

Bom, se o governo precisa compensar a grana que deixou de arrecadar com o diesel, de algum lugar esse dinheiro vai ter que vir. E, no fim das contas, quem paga a conta é sempre o contribuinte, ou seja, nós. A conta pode vir de várias formas:

  • Aumento de outros impostos: Para compensar a perda de receita, o governo pode aumentar impostos em outros setores da economia. Isso pode significar produtos e serviços mais caros para você.
  • Cortes em investimentos: Se a arrecadação não for suficiente, o governo pode ter que cortar gastos em áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura. Isso afeta a qualidade dos serviços públicos que você usa.
  • Inflação: A medida pode gerar um efeito inflacionário no futuro, corroendo o seu poder de compra. É como se o governo desse um alívio momentâneo, mas a conta chegasse com juros no futuro.

Olhando para outros setores

Enquanto o governo mexe aqui e ali para equilibrar as contas, outros setores da economia seguem tentando se recuperar. O desempenho dos setores é crucial para a arrecadação e para a saúde da economia como um todo.

Um exemplo é o transporte aéreo de carga, que tem sofrido com a alta do dólar e a instabilidade econômica global. Se o setor não vai bem, menos impostos são arrecadados, e a conta sobra para outros lados.

Outro setor que merece atenção é a indústria do cacau, importante para a economia de algumas regiões do país. Mudanças na política fiscal podem impactar a produção e as exportações, afetando empregos e renda.

E não podemos esquecer de empresas como a CSN, que acumula dívidas bilionárias. Se empresas desse porte enfrentam dificuldades financeiras, o risco de demissões e impacto na economia local é alto.

A Europa de olho nos EUA

E por falar em instabilidade, a União Europeia (UE) está de antenas ligadas com as investigações dos Estados Unidos sobre possíveis desvios em acordos comerciais. O presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, Bernd Lange, já avisou que qualquer mudança “substancial” no acordo firmado com os EUA será “inaceitável”. Isso pode gerar tensões comerciais e impactar a economia global, inclusive o Brasil.

Afinal, o que esperar?

A verdade é que a política fiscal é como um jogo de xadrez complexo. Cada movimento tem consequências, e nem sempre é fácil prever o resultado final. No caso do diesel, o alívio imediato pode ser bom, mas é preciso ficar de olho para ver quem vai pagar a conta no futuro. Afinal, a economia é como um cobertor curto: se você puxa de um lado, descobre o outro.