A bomba não para de subir. O diesel já acumula alta de quase 20% neste mês, e a gasolina também não ficou para trás. Para quem dirige, para quem depende do frete e, no fim das contas, para todo mundo, a notícia não é nada boa.

Por que o diesel está tão caro?

Vários fatores estão contribuindo para essa escalada. Primeiro, a guerra no Oriente Médio tem pressionado as cotações do petróleo lá fora. Como o Brasil ainda importa parte do diesel que consome, essa alta internacional acaba chegando por aqui.

Além disso, entidades do setor de combustíveis estão alertando para um possível desabastecimento. Elas argumentam que as medidas do governo para conter a alta, como a isenção de impostos federais e a subvenção, não estão sendo suficientes para aliviar o custo na ponta e podem até desorganizar a cadeia de suprimento.

Segundo essas entidades, o problema é que os incentivos valem para o diesel "A", vendido para as distribuidoras, mas não necessariamente chegam ao diesel "B", que é o que vai para os postos e para o tanque dos veículos.

E tem mais um ingrediente nessa receita indigesta: a Petrobras (PETR4). Fontes do setor de distribuição disseram à Reuters que a solução para a restrição de oferta seria um reajuste nos preços da estatal, para que se abra novamente uma janela de importação e mais agentes tenham segurança para trazer o produto do exterior.

O diesel sobe, e a inflação agradece? (Só que não!)

O aumento do diesel tem um impacto direto e indireto na inflação. Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, calcula que a alta do diesel pode ter um efeito direto de 0,04 ponto percentual na inflação de março. Pode parecer pouco, mas cada centavo conta, não é?

O problema é que o impacto indireto é ainda maior. Afinal, o diesel é o combustível que move grande parte do transporte rodoviário de cargas no país. Se o diesel fica mais caro, o frete também sobe, e essa conta geralmente sobra para o consumidor final, principalmente nos preços dos alimentos. É como uma reação em cadeia: o diesel sobe, o frete sobe, o preço do tomate sobe...

O que o governo pode fazer?

A equipe econômica, liderada pelo Ministro da Fazenda Haddad e pelo secretário-executivo Dario Durigan, está de olho na situação. O governo já anunciou algumas medidas, como a isenção de impostos e a subvenção, mas, como vimos, elas parecem não estar sendo suficientes.

Uma alternativa seria aumentar a subvenção, mas isso teria um custo fiscal alto, o que poderia gerar preocupações no mercado. Outra opção seria rever a política de preços da Petrobras, mas essa é uma medida delicada, que poderia gerar críticas e até mesmo questionamentos sobre a autonomia da empresa.

No fim das contas, não há soluções fáceis. O governo precisa encontrar um equilíbrio entre conter a alta dos combustíveis, garantir o abastecimento e manter a saúde das contas públicas. É como andar na corda bamba: difícil, mas não impossível.

E o que o brasileiro pode fazer?

Infelizmente, a margem de manobra do consumidor é limitada. Uma opção é pesquisar os preços em diferentes postos de combustíveis, buscando os melhores preços. Outra é tentar reduzir o consumo, evitando viagens desnecessárias ou optando por meios de transporte alternativos, como o transporte público ou a bicicleta (se possível, claro).

Além disso, é importante ficar de olho nas notícias e acompanhar de perto as decisões do governo e da Petrobras. Afinal, o preço do diesel afeta diretamente o seu bolso e o seu dia a dia. E, como diz o ditado, "informação é poder".