A conta não fecha. A frase, que já virou um clichê na vida de muitos brasileiros, ganha contornos ainda mais dramáticos com a notícia de que o endividamento das famílias bateu um novo recorde em março, atingindo 80,4%, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). É o maior nível da série histórica, um sinal de alerta para a saúde financeira do país.
Mas o que está por trás desse aumento? A resposta não é tão simples quanto culpar apenas a inflação ou os juros altos. Entenda o que está acontecendo e como isso afeta você.
Juros altos e a economia 'freada'
A taxa Selic, que baliza os juros no Brasil, ainda está alta, em 14,75% ao ano. Para entender o impacto disso, imagine que a Selic é como um peso no acelerador de um carro. Quando ela sobe, o crédito fica mais caro, as empresas investem menos, as pessoas consomem menos e a economia desacelera. É uma medida usada para tentar controlar a inflação, mas que tem um preço: o endividamento.
É como um remédio amargo: necessário para combater a febre da inflação, mas com efeitos colaterais. Só que, desta vez, um novo fator inesperado parece agravar a situação.
Apostas online: o novo vilão?
Segundo apuração do Money Times Economia, as apostas online (as chamadas “bets”) têm um impacto quase duas vezes maior no endividamento dos brasileiros do que os fatores econômicos tradicionais, como juros e inflação. A pesquisa, realizada pelo Ibevar e pela FIA, mostra que o 'click' fácil e a promessa de dinheiro rápido podem estar levando muita gente a se afogar em dívidas.
De acordo com a Serasa, mais de 81 milhões de brasileiros estão inadimplentes. E uma pesquisa da Velotax, plataforma digital voltada para investidores, indica que uma parcela relevante dessa crise está associada a causas emocionais, como ansiedade e estresse, que podem ser gatilhos para o vício em apostas.
O que o governo está fazendo?
O governo federal já acendeu o sinal de alerta e prepara medidas para tentar aliviar o peso das dívidas das famílias. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que estão sendo avaliadas diversas linhas de crédito para o programa de renegociação de dívidas, com foco em famílias, trabalhadores informais, MEIs e pequenas empresas. A ideia é oferecer condições melhores para que as pessoas consigam colocar as contas em dia.
Uma das medidas em estudo é a liberação de recursos do FGTS para essa linha de crédito. Mas, antes de bater o martelo, o governo está avaliando o impacto dessa medida na sustentabilidade do fundo, para garantir que não vai tirar de um lado para cobrir o outro.
Guerra no Oriente Médio e o seu bolso
Além dos juros altos e das apostas, um outro fator externo também pode pesar no seu bolso: a guerra no Oriente Médio. Como mostrou o G1, a CNC está atenta aos efeitos do conflito e do impacto da alta do petróleo sobre o consumidor. Afinal, quando o petróleo sobe, o preço da gasolina também sobe, o que impacta o custo de transporte, de alimentos e de diversos outros produtos e serviços.
Como se proteger?
Diante desse cenário, a palavra de ordem é: planejamento. Coloque as contas na ponta do lápis, corte gastos desnecessários e, principalmente, evite se endividar ainda mais. Se você já está endividado, procure ajuda para renegociar suas dívidas e fuja de promessas de dinheiro fácil. Lembre-se: a melhor forma de evitar a armadilha das dívidas é ter controle sobre suas finanças e evitar decisões impulsivas.
A situação é complexa e exige atenção, mas com informação e planejamento, é possível atravessar esse momento com mais segurança e evitar que a conta fique ainda mais pesada.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.