Janeiro trouxe um respiro para quem busca emprego: foram criadas 112,3 mil vagas com carteira assinada no Brasil. É um alívio depois de um dezembro mais fraco, com menos contratações do que o esperado. Mas, calma, não dá para soltar foguetes ainda. O ritmo de criação de empregos está mais lento do que no ano passado, e a taxa de juros alta, definida pelo Banco Central, continua sendo um obstáculo.

O que os números mostram

Em janeiro, as empresas contrataram 2,2 milhões de pessoas e demitiram 2,09 milhões. O resultado é bom, mas, como mostrou o G1, representa uma queda de 27,2% em comparação com janeiro de 2025, quando foram criados 154,4 mil empregos. Este também foi o pior janeiro desde 2023.

Todos os setores da economia mostraram recuperação em relação a dezembro, com destaque para:

  • Serviços: passou de 19 mil para 47 mil novas vagas
  • Comércio: foi de -12 mil para 28 mil
  • Construção: saiu de -15 mil para 24 mil
  • Indústria: foi de -7 mil para 18 mil

A agropecuária manteve um saldo positivo de 4 mil vagas.

Por que o ritmo está mais lento?

A principal razão apontada por especialistas é a taxa de juros alta, que está em 15% ao ano. Para entender, imagine que a Selic é como um freio no carro: quando ela está alta, fica mais caro tomar dinheiro emprestado, as empresas investem menos, contratam menos e o crescimento da economia diminui.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, já declarou que a redução da taxa de juros é fundamental para o mercado de trabalho continuar avançando. Ele acredita que, se o Banco Central começar a baixar os juros, o Brasil pode, inclusive, superar a geração de empregos de 2025 (1,27 milhão de vagas).

Segundo economistas da XP Investimentos, o resultado mais forte de janeiro foi, em parte, uma compensação pelo desempenho mais fraco de dezembro. Eles explicam que mudanças nos feriados de final de ano desde a pandemia podem ter influenciado o ritmo de contratações.

O que isso significa para você?

Se você está procurando emprego, a notícia é que o mercado continua aquecido, mas a competição pode ser maior. Com o ritmo de contratações mais lento, as empresas tendem a ser mais criteriosas na hora de contratar. Então, prepare bem o currículo, treine para as entrevistas e mostre que você é a pessoa certa para a vaga.

Para quem já está empregado, a cautela é a palavra de ordem. A economia ainda está em um momento de incerteza, e ninguém quer ser pego de surpresa. É importante acompanhar as notícias, entender o que está acontecendo e se preparar para possíveis mudanças no mercado de trabalho.

E o futuro?

Ainda é cedo para saber o que vai acontecer nos próximos meses. A trajetória do emprego vai depender de vários fatores, como a inflação, a taxa de juros, o cenário internacional e as políticas do governo. O Copom (Comitê de Política Monetária) tem reunião marcada ainda em março e a expectativa é que a taxa Selic comece a ceder, o que pode dar um novo fôlego para a economia.

Enquanto isso, é importante ficar de olho nos indicadores e se preparar para os desafios que virão. Afinal, em economia, como na vida, é melhor prevenir do que remediar.