Sete em cada dez brasileiros estão com alguma dívida para pagar. É o que mostra uma pesquisa recente da Quaest, divulgada nesta quarta-feira. O levantamento revela que 72% dos entrevistados afirmam ter "poucas" ou "muitas" dívidas. Em maio do ano passado, esse percentual era de 65%. Ou seja, a situação piorou.
Pra gente ter uma ideia mais clara, a pesquisa divide os endividados em dois grupos: aqueles que se consideram com "muitas dívidas" (29% do total) e os que têm "poucas" (43%). Apenas 28% disseram não ter nenhuma pendência financeira. Os dados foram levantados entre os dias 9 e 13 de abril, com mais de 2 mil pessoas em todo o país.
Por que tanta gente endividada?
A gente sabe que a economia brasileira ainda está se recuperando. A inflação, apesar de ter dado uma trégua nos últimos meses, ainda pesa no bolso. E os juros altos, mesmo com a Selic em trajetória de queda, continuam encarecendo o crédito. É como se fosse uma tempestade perfeita, dificultando a vida de quem precisa comprar a prazo.
Outro fator importante é o aumento do desemprego e da informalidade. Sem renda fixa, fica muito mais difícil manter as contas em dia e evitar o endividamento. Muita gente acaba recorrendo a empréstimos e financiamentos para cobrir despesas básicas, o que só agrava o problema.
O impacto no varejo e nas vendas
Com tanta gente endividada, o comércio sente o baque. As famílias precisam priorizar o pagamento das dívidas e acabam cortando gastos considerados supérfluos. Isso afeta diretamente o varejo, que vê as vendas caírem e o faturamento diminuir.
É como se fosse um efeito dominó: menos dinheiro circulando, menos gente comprando, menos empresas vendendo e, consequentemente, menos empregos sendo gerados. A economia brasileira como um todo acaba sofrendo.
O que o governo pode fazer?
A pesquisa Quaest também perguntou aos entrevistados sobre a opinião em relação a programas governamentais de renegociação de dívidas. A maioria (70%) se mostrou favorável a que o governo federal invista mais recursos nesse tipo de iniciativa.
Um exemplo é o Desenrola Brasil, programa que busca facilitar a renegociação de dívidas de pessoas físicas. Segundo o levantamento, 46% dos entrevistados aprovam a medida, o que mostra que há uma demanda por soluções que ajudem a aliviar o peso das dívidas no orçamento das famílias.
Qual a perspectiva para o futuro?
A expectativa é que, com a Selic em queda e a inflação mais controlada, a situação comece a melhorar gradualmente. Mas é importante lembrar que a recuperação da economia é um processo lento e gradual. Não dá pra esperar que as dívidas desapareçam da noite para o dia.
Para as famílias, a dica é tentar organizar as finanças, evitar novas dívidas e buscar alternativas para renegociar as pendências existentes. E para o governo, o desafio é continuar implementando políticas que incentivem o crescimento econômico e a geração de empregos, para que cada vez menos brasileiros precisem se preocupar com as contas no vermelho.
No fim das contas, a saúde da economia brasileira depende da saúde financeira de cada um de nós. Se as famílias estão endividadas, o país inteiro sente os efeitos.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.