A novela da Enel em São Paulo ganhou mais um capítulo nesta segunda-feira. Em meio a críticas e até um processo que pode levar à perda da concessão, o CEO global da Enel, Flavio Cattaneo, bateu o martelo: a empresa não tem interesse em vender a distribuidora de energia paulista. A pergunta que fica é: e agora, o que muda para o consumidor?
Enel fica, e daí?
A decisão da Enel de permanecer em São Paulo, anunciada pelo próprio CEO, vem em um momento delicado. A empresa enfrenta forte pressão após os apagões que deixaram milhares de pessoas sem luz, especialmente durante o verão. Para o consumidor, a permanência da Enel significa que, pelo menos por enquanto, a empresa continuará responsável pela distribuição de energia na cidade. Mas será que isso é bom ou ruim?
A resposta não é simples. Se, por um lado, a troca de controle da empresa poderia gerar ainda mais instabilidade, por outro, a Enel precisa mostrar resultados rápidos para reconquistar a confiança dos clientes e evitar a temida caducidade da concessão – que é, basicamente, quando o governo toma a empresa de volta.
O que a Enel alega?
A Enel se defende, argumentando que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não pode considerar o apagão de dezembro na análise sobre a concessão. A empresa alega que a qualidade do serviço melhorou 50% no último ano. Mas, para quem ficou no escuro, essa melhora pode ser difícil de enxergar.
A culpa é das árvores?
Em uma declaração no mínimo curiosa, o CEO da Enel chegou a dizer que, se a arborização da cidade continuar como está, só Jesus Cristo seria capaz de evitar os apagões, já que os cabos estariam “dentro das árvores”. A alegação da empresa é que a queda de árvores sobre a fiação aérea é um dos principais motivos para as interrupções no fornecimento de energia.
A questão da arborização é, de fato, um problema. Mas, como diz o ditado, “para quem não tem martelo, todo problema é prego”. A Enel precisa mostrar que está investindo em soluções mais robustas para garantir o fornecimento de energia, como a modernização da rede e a instalação de cabos subterrâneos, que são menos suscetíveis a quedas de árvores e outros problemas.
Investimento na rede: a luz no fim do túnel?
A grande questão é: a Enel está disposta a investir pesado para modernizar a infraestrutura em São Paulo? A rede de distribuição de energia da cidade precisa de investimentos urgentes para garantir um fornecimento mais estável e confiável. Se a Enel não fizer a lição de casa, o risco de novos apagões e a possibilidade de perder a concessão continuarão pairando sobre a empresa – e sobre a conta de luz do consumidor.
E no meu bolso?
É aí que a coisa pega. Se a Enel for obrigada a investir mais na rede, esse custo pode ser repassado para a tarifa de energia. Por outro lado, se a empresa não investir, a qualidade do serviço pode piorar, gerando prejuízos para o comércio, a indústria e, claro, para o consumidor residencial, que pode ter equipamentos danificados e até perder alimentos por causa da falta de energia. Ou seja, de um jeito ou de outro, a conta sobra para o brasileiro.
No fim das contas, a decisão da Enel de ficar em São Paulo é só o começo de uma longa jornada. A empresa precisa provar que está comprometida em resolver os problemas da rede elétrica e garantir um serviço de qualidade para a população. Caso contrário, a novela da Enel em São Paulo pode ter um final amargo para todos.
O consumidor, por sua vez, precisa ficar de olho e cobrar soluções. Afinal, energia não é luxo, é necessidade. E pagar caro por um serviço ruim não é justo com ninguém.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.