As empresas estatais federais abriram o ano de 2026 com um susto para os cofres públicos. Entre janeiro e abril, o grupo acumulou um déficit primário de R$ 5,93 bilhões, segundo os dados mais recentes do Banco Central. Para se ter uma ideia do tamanho da encrenca, esse valor já ultrapassou o rombo total registrado ao longo de todo o ano de 2025, que foi de R$ 5,1 bilhões.

Este é o pior desempenho para um primeiro quadrimestre desde 2002, quando o Banco Central começou a registrar essa série histórica. A velocidade com que as contas das estatais deterioraram chama a atenção. É como se, em apenas quatro meses, o saldo negativo de suas contas já representasse o resultado financeiro ruim de todo o ano anterior.

É importante notar que essa conta do Banco Central não inclui gigantes como a Petrobras (PETR4) e a Eletrobras (ELPL3). Se elas fossem computadas, o prejuízo total seria ainda maior. A situação levanta questões sobre a eficiência e a gestão desses órgãos públicos, que representam uma fatia significativa do patrimônio do país e, em teoria, deveriam gerar resultados positivos.

Enquanto isso, no mercado imobiliário, um fundo específico, o Riza Arctium Real Estate (RZAT11), anunciou a compra de um imóvel em Maringá (PR) por R$ 20 milhões. A operação foi feita no modelo 'sale & leaseback', onde a empresa vendedora, Assumpção Administradora de Bens, vende o imóvel e o aluga de volta por 10 anos, com um aluguel mensal de R$ 214 mil. Além disso, há uma opção de recompra do imóvel pela vendedora ao final do contrato. O fundo projeta um retorno de IPCA + 13,6% ao ano, o que indica uma expectativa de ganhos consideráveis em cima da inflação.

Mas nem todas as notícias que circulam hoje são de bons negócios ou recuperação. O aplicativo iFood confirmou um vazamento de dados de cerca de 1,2 milhão de usuários, o que representa aproximadamente 2% de sua base. O incidente, que ocorreu em dezembro de 2025, envolveu dados cadastrais como nome e CPF. A empresa garante que senhas e informações financeiras não foram comprometidas e que o ataque foi rapidamente contido. No entanto, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) já solicitou informações sobre o caso, mesmo o iFood não tendo comunicado o incidente, alegando que ele não acarreta risco relevante aos titulares.

Em paralelo, a Controladoria-Geral da União (CGU) prorrogou por mais 60 dias a investigação sobre ex-funcionários do Banco Central (BC) que estariam envolvidos com o Banco Master. Os ex-servidores Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, afastados desde janeiro, são suspeitos de receber pagamentos indevidos para atuar como 'consultores informais' do banqueiro Daniel Vorcaro. Os processos administrativos disciplinares (PADs) correm sob sigilo e a investigação, que começou em março, agora tem um novo prazo para apresentar resultados.

Esses diferentes cenários mostram um retrato complexo da economia brasileira. Por um lado, temos a preocupação com o desempenho das estatais e a segurança dos dados dos usuários. Por outro, o mercado de fundos imobiliários demonstra dinamismo, mesmo em um cenário de incertezas. O acompanhamento de indicadores como a inflação e a evolução da taxa Selic continua sendo fundamental para entender o rumo que o país tomará. O dólar, por sua vez, também segue no radar dos investidores e das famílias.