A economia brasileira volta a ficar apreensiva nesta sexta-feira (10/07/2026). O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, sinalizou que uma decisão sobre a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros será anunciada "muito em breve". O prazo final para essa definição é 15 de julho, e as conversas entre os dois países indicam que ainda há uma "distância considerável" para um acordo, segundo Jamieson Greer, representante do Departamento de Comércio dos EUA.

Pressão noCommerce Internacional

O cerne da questão reside nas acusações americanas de que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio. Em resposta, Trump propôs uma tarifa adicional de 25% sobre mercadorias brasileiras. Essa ameaça não é inédita; em junho, o governo americano já havia anunciado taxas adicionais de 12,5% para 60 países por falhas no combate ao trabalho forçado, incluindo o Brasil. Naquela ocasião, uma longa lista de exceções foi apresentada para tentar mitigar o impacto no mercado consumidor americano. Agora, a preocupação se volta para uma taxação mais ampla.

Para as mais de 40 empresas americanas que, segundo o Itamaraty, se posicionam contra o "tarifaço", a incerteza é um fator de peso. As entidades do setor produtivo, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) no Brasil e a U.S. Chamber of Commerce nos EUA, além da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), emitiram uma nota conjunta pedindo uma nova rodada de negociações. A expectativa é que o diálogo possa afastar o risco de uma guerra comercial que prejudicaria ambos os mercados. No Brasil, o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) têm mantido conversas técnicas com a Casa Branca, buscando uma solução diplomática. O ministro Márcio Elias Rosa, do Mdic, ressaltou o empenho do governo Lula em "nunca abandonar a mesa de negociação", uma postura que busca trazer um mínimo de tranquilidade em meio à pressão internacional.

O que pode acontecer com o seu bolso?

Na minha leitura, o principal receio é o efeito cascata sobre o poder de compra do brasileiro. Se essas tarifas forem de fato implementadas, é quase certo que veremos um aumento no custo de produtos importados que dependem diretamente do comércio com os Estados Unidos. Imagine que um eletrônico que você estava planejando comprar, ou até mesmo peças essenciais para a indústria automobilística ou de bens de consumo, podem sofrer um acréscimo significativo em seus preços. Isso não afeta apenas quem busca itens importados, mas pode respingar em toda a cadeia produtiva, pressionando a inflação e tornando o orçamento familiar ainda mais apertado.

Lembro-me de episódios semelhantes que cobrimos em 2020 e 2022, onde a incerteza comercial gerou volatilidade no mercado financeiro e reflexos diretos no dólar. A variação da moeda norte-americana, por sua vez, tem um impacto amplificador em diversos produtos e serviços. Uma desvalorização do real frente ao dólar encarece não só bens importados, mas também insumos e matérias-primas utilizados na produção local, o que pode se traduzir em preços mais altos no supermercado, no posto de gasolina e nas contas do dia a dia. Acompanhamos esse movimento desde o início do mês e a tendência é que a apreensão continue até a definição de 15 de julho.

Um precedente em outras áreas

Curiosamente, enquanto a ameaça de tarifas paira sobre o comércio em geral, o Departamento de Comércio dos EUA informou nesta quinta-feira (9) que encerrou uma investigação sobre aeronaves comerciais, motores a jato e peças importadas. Nesse caso específico, apesar de terem sido levantadas preocupações em relação à segurança nacional, o governo Trump decidiu não impor novas tarifas. Essa decisão, influenciada pela pressão do próprio setor de aviação americano, serve como um pequeno alento, mostrando que nem todas as investigações culminam em taxações. No entanto, é um caso pontual e não apaga a ameaça principal que paira sobre uma gama maior de produtos brasileiros.

O cenário atual exige atenção redobrada. As negociações estão em curso, mas a fala de Jamieson Greer sugere que as posições ainda estão distantes. Para o consumidor brasileiro, a expectativa é que a diplomacia prevaleça e que os indicadores econômicos, já sob pressão, não sofram mais um abalo. A dependência de produtos americanos e a relevância do mercado dos EUA para as exportações brasileiras tornam esse impasse um ponto de atenção para a estabilidade e o poder de compra da população.