Sabe quando você espera ansiosamente por uma promoção, mas no fim das contas ela não acontece? Algo parecido pode estar acontecendo com a derrubada das tarifas impostas pelo ex-presidente americano Donald Trump. A Suprema Corte dos Estados Unidos barrou o chamado "tarifaço", e a pergunta que fica é: o que muda para a economia global e, principalmente, para o nosso bolso?
O que rolou nos EUA?
A Suprema Corte americana considerou que Trump não tinha o poder de impor tarifas tão amplas usando uma lei de emergência econômica. Imagine que é como se ele tivesse tentado usar uma ferramenta inadequada para o trabalho - a lei não permitia aquele tipo de ação.
A decisão gerou um certo alívio nos mercados, mas a calmaria pode ser passageira. Segundo analistas da XP Investimentos, a decisão afeta principalmente as chamadas tarifas "recíprocas", mas não invalida automaticamente todas as tarifas em vigor, como as incidentes sobre aço e alumínio.
Preços mais baixos à vista? Calma!
A expectativa inicial era de que, com o fim das tarifas, os produtos importados ficassem mais baratos nos EUA. Mas a realidade pode ser um pouco diferente. Muitos especialistas acreditam que as empresas podem aproveitar a situação para recompor suas margens de lucro, que foram comprimidas durante o período em que as tarifas estavam em vigor. É como se, em vez de repassar o desconto para o consumidor, elas decidissem encher o próprio bolso um pouco mais.
André Valério, economista sênior do Inter, explicou que, durante o período das tarifas, muitas empresas absorveram os custos para não perder vendas. Agora, com a queda das tarifas, a expectativa é que elas usem a redução de custos para recuperar as perdas.
E o Brasil com isso?
Num primeiro momento, o fim das tarifas poderia ser uma boa notícia para as exportações brasileiras. Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington, chegou a afirmar que a queda da IEEPA (a lei usada por Trump) poderia impactar 22% dos produtos de exportação para os Estados Unidos.
Só que a história não acaba aí. Trump pode ter outros planos. Andrea Damico, economista-chefe da Buysidebrazil, acredita que o governo americano pode contornar a decisão da Suprema Corte usando outra lei, que permite aplicar uma tarifa universal de até 15% sobre todos os produtos de países. Essa alternativa, no entanto, é provisória, com duração de 150 dias.
O impacto no seu bolso
Se as tarifas americanas realmente caírem e os produtos importados ficarem mais baratos nos EUA, teoricamente isso poderia ajudar a controlar a inflação por lá. Uma inflação mais baixa nos Estados Unidos poderia, por sua vez, diminuir a pressão para que o Federal Reserve (o Banco Central americano) continue subindo os juros. E se os juros americanos pararem de subir, isso pode aliviar a pressão sobre o dólar, que tende a cair. Um dólar mais barato significa que os produtos importados ficam mais acessíveis para nós, brasileiros.
Mas, como vimos, essa é apenas uma possibilidade. Se as empresas americanas decidirem recompor suas margens de lucro em vez de baixar os preços, ou se Trump encontrar uma forma de manter as tarifas em vigor, o impacto no nosso bolso pode ser bem menor.
De olho nos próximos capítulos
Ainda é cedo para cravar qual será o impacto final da derrubada do "tarifaço" de Trump. O que está claro é que a economia global está em um momento de muita incerteza, e qualquer decisão tomada nos Estados Unidos pode ter reflexos no mundo todo. Para nós, brasileiros, resta acompanhar de perto os próximos desenvolvimentos e torcer para que o resultado seja positivo para a nossa economia.
Afinal, no fim das contas, o que a gente quer é que a conta do supermercado não pese tanto, certo?
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.