Se você planeja viajar de avião, prepare-se: o cenário para o setor aéreo não é dos mais animadores. Uma combinação de fatores, incluindo a guerra no Irã e a alta do petróleo, está pressionando os custos das empresas e, consequentemente, pode impactar o preço das passagens e o frete de produtos.
Frete aéreo nas alturas
Começando pelo frete aéreo, a situação é de alerta. As tarifas internacionais de frete aéreo geral dispararam até 95% entre fevereiro e março, segundo a consultoria internacional de supply chain Drewry. Para se ter uma ideia, as tarifas de transporte aéreo de Xangai para Dubai saltaram de US$ 4,40 para US$ 8,60 no período. A consultoria aponta que o patamar recorde dessas tarifas se deu durante a crise sanitária de 2020, quando chegaram a U$ 9,40, e há um risco real desse nível ser superado em 2026. É como se, de repente, a conta para enviar e receber produtos do exterior ficasse quase o dobro mais cara.
Por que essa alta toda?
A explicação para essa escalada está na redução da capacidade de transporte aéreo e no aumento dos preços dos combustíveis, ambos reflexos da instabilidade geopolítica causada pela guerra no Irã. As sobretaxas de combustível, por exemplo, subiram até 290% em março em algumas rotas, como Singapura e Londres.
Petrobras aumenta preço do querosene
E não para por aí. O Grupo Abra, holding que controla a companhia aérea Gol, informou que a Petrobras (PETR4) vai aumentar os preços do querosene de aviação (QAV) em cerca de 55% a partir de 1º de abril. Esse combustível representa uma fatia considerável dos custos das empresas aéreas, cerca de 30% das despesas operacionais do setor no Brasil. Imagine que, de cada R$ 100 gastos por uma companhia aérea, R$ 30 vão direto para o combustível.
O que está por trás desse aumento?
Assim como no caso do frete aéreo, a alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra, é a principal culpada. A Petrobras costuma ajustar os preços do QAV no início de cada mês, levando em conta a cotação internacional do petróleo e a variação do dólar.
E o que isso significa para você?
A combinação desses dois fatores – frete aéreo nas alturas e aumento do querosene de aviação – coloca pressão sobre o setor aéreo como um todo. As empresas aéreas, inevitavelmente, vão tentar repassar esses custos extras para o consumidor final. Ou seja, a tendência é que as passagens aéreas fiquem mais caras. Prepare o bolso!
Além disso, a alta do frete aéreo pode impactar o preço de produtos importados, como eletrônicos, roupas e até mesmo alguns alimentos. Afinal, se fica mais caro trazer esses produtos para o Brasil, o custo final para o consumidor também aumenta.
O que esperar do futuro?
É difícil prever com certeza o que vai acontecer, mas a expectativa é de que o setor aéreo continue enfrentando desafios nos próximos meses. A instabilidade geopolítica no Oriente Médio e a volatilidade do preço do petróleo devem manter a pressão sobre os custos das empresas.
Para o consumidor, a dica é pesquisar bastante antes de comprar passagens aéreas ou produtos importados. Fique de olho nas promoções e, se possível, antecipe suas compras para evitar surpresas desagradáveis.
E se você trabalha no setor aéreo, prepare-se para um período de adaptação e busca por alternativas para reduzir custos e manter a competitividade. A palavra de ordem é resiliência.
No fim das contas, a economia é como uma teia: um problema em um ponto pode gerar consequências em diversos outros. A alta do frete aéreo e do querosene de aviação são apenas mais um exemplo disso. Resta torcer para que a situação se normalize o mais rápido possível e que os impactos para o bolso do brasileiro sejam os menores possíveis.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.