Combustível nas alturas, contas atrasadas, a sensação de que o salário some antes do fim do mês... A cena é familiar para muitos brasileiros, e o governo federal parece ter ligado o alerta. Nesta terça-feira, foram anunciadas algumas medidas que miram tanto o alívio imediato no preço dos combustíveis quanto o combate ao endividamento das famílias.
Combustíveis: um freio (complicado) nos preços
A novela dos combustíveis ganhou um novo capítulo com o anúncio de novas subvenções para o diesel e o gás de cozinha (GLP), além de um apoio financeiro às empresas aéreas. O objetivo, claro, é conter os aumentos, especialmente em um momento de alta do petróleo impulsionada pela instabilidade no Irã.
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, estimou que o impacto anualizado desse pacote pode chegar a R$ 31 bilhões, somando as medidas anunciadas hoje com as já implementadas em março. Para bancar essa conta, o governo aposta em um aumento na arrecadação com impostos de exportação, venda de óleo pela PPSA, royalties, IRPJ e dividendos. A conta fecha? O tempo dirá.
O governo espera arrecadar cerca de R$ 40 bilhões com a alta do petróleo, considerando o barril do Brent a US$ 90. Vale lembrar que o Brent é o tipo de petróleo negociado internacionalmente e usado como referência para o preço da gasolina e do diesel no Brasil.
É importante notar que o governo também está de olho nas empresas do setor. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, prometeu punições severas, inclusive no CPF dos empresários, para quem cometer infrações que contribuam para a alta dos preços.
FGTS para pagar dívidas? A ideia está na mesa
A outra frente de atuação do governo é o endividamento. Uma proposta em estudo é permitir que os trabalhadores usem parte do saldo do FGTS para quitar dívidas. A medida ainda está sendo avaliada em conjunto com o Ministério do Trabalho, que, naturalmente, tem a preocupação de preservar a saúde financeira do Fundo de Garantia.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que a ideia está em análise. Segundo apuração da Folha de S.Paulo, o governo também prepara linhas de crédito específicas para renegociação de dívidas de pessoas físicas, microempreendedores individuais (MEI) e pequenas empresas. A ideia é criar condições mais favoráveis para que essas pessoas consigam colocar as contas em dia.
Mais crédito para quem precisa
A lógica é simples: com mais crédito disponível e juros mais baixos, fica mais fácil trocar uma dívida cara por outra mais barata, aliviando o orçamento.
O presidente Lula tem repetido que as dívidas estão consumindo a renda das famílias. A medida, portanto, busca injetar um ânimo na economia, permitindo que as pessoas voltem a consumir e, assim, impulsionem o crescimento.
E a Enel?
Embora não tenha sido o foco dos anúncios de hoje, a questão da concessão da Enel (e outras empresas do setor elétrico, como a Brasil Colômbia) segue no radar. A insatisfação com a qualidade dos serviços prestados tem levado o governo a repensar as regras para o setor, com a possibilidade de punições mais rigorosas para quem não cumprir as metas estabelecidas.
Em resumo, o governo tenta equilibrar pratos: conter a inflação dos combustíveis, aliviar o endividamento das famílias e garantir a qualidade dos serviços essenciais, como o fornecimento de energia. Se vai dar certo, só o tempo dirá. Mas, por ora, o importante é que o tema está na agenda e medidas concretas estão sendo propostas.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.