A guerra no Oriente Médio não está afetando só quem acompanha as notícias, mas também o seu bolso. Com a escalada dos conflitos, o preço dos combustíveis disparou, e o governo correu para tentar frear essa alta. Nesta segunda-feira (6), foi anunciado um pacote de medidas que mexem com o querosene de aviação, o diesel e até o gás de cozinha. Vamos entender o que isso significa para você.

Passagens aéreas mais baratas?

Uma das principais medidas é a isenção de PIS e Cofins sobre o querosene de aviação (QAV). Para quem não sabe, o QAV é o combustível usado pelos aviões, e ele representa uma fatia considerável dos custos das companhias aéreas – cerca de 45%, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). O governo espera que essa isenção, que representa uma redução de R$ 0,07 por litro, ajude a conter o aumento das passagens.

Além da isenção, o governo também anunciou linhas de crédito para o setor aéreo, que podem chegar a R$ 9 bilhões. O objetivo é ajudar as empresas a se reestruturarem financeiramente e a terem capital de giro.

A pergunta que não quer calar: isso significa que as passagens vão ficar mais baratas? A expectativa é que sim, mas não espere milagres. A isenção e as linhas de crédito são um alívio para as empresas, mas outros fatores também influenciam o preço das passagens, como a demanda, a taxa de câmbio e os custos operacionais.

Diesel e gás de cozinha: alívio no horizonte

Não é só o setor aéreo que vai receber ajuda. O governo também anunciou subvenções para a importação de diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP), o nosso conhecido gás de cozinha.

No caso do diesel, a subvenção será de R$ 1,20 por litro, em parceria com os estados. A União paga R$ 0,60 e os estados entram com a outra metade. Essa medida se soma a uma subvenção já existente de R$ 0,32 por litro, criada em março. O objetivo é garantir o abastecimento do país, já que a guerra no Oriente Médio dificulta a importação do combustível.

Já para o gás de cozinha, a subvenção será de R$ 850 por tonelada de GLP importado. Segundo o governo, o objetivo é equiparar o preço do produto importado com o do produto nacional, reduzindo o impacto da guerra no bolso das famílias de baixa renda. A medida tem duração prevista de dois meses, podendo ser prorrogada por mais dois.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a medida viabiliza a manutenção da importação do GLP mesmo no cenário internacional adverso e garante "a distribuição para as famílias de mais baixa renda, que dependem dessa energia, de gás de cozinha, no seu dia a dia", como mostrou o G1.

Impacto neutro?

O governo garante que o impacto fiscal de todas essas medidas é neutro, ou seja, não vai aumentar a dívida pública. Segundo o Ministro do Planejamento e Orçamento, as ações são amplas, com efeitos nas cadeias de fornecimento de combustíveis e também no setor aéreo. Resta saber se, na prática, o alívio será sentido no bolso do consumidor.

Afinal, a variação dos preços dos combustíveis é uma preocupação constante para o brasileiro há tempos. Torcer para que, desta vez, o final seja feliz para o nosso bolso.