A avaliação do governo Luiz Inácio Lula da Silva mostra sinais de melhora, especialmente pela percepção de que a economia parou de piorar. Essa mudança na visão dos brasileiros é o principal motor por trás do aumento da aprovação, que pela primeira vez desde o fim de 2024, supera numericamente a desaprovação. A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) aponta 48% de aprovação contra 47% de desaprovação, em um empate técnico com margem de erro de dois pontos percentuais.
O papel dos programas sociais na aprovação
Não são apenas os indicadores macroeconômicos que têm ecoado positivamente. Programas voltados para o alívio financeiro das famílias, como o Desenrola 2.0, têm um impacto notável na opinião pública. Segundo a pesquisa, o Desenrola 2.0 tem potencial para reduzir a desaprovação governamental mais do que a proposta de ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. O programa, que já atingiu 39 milhões de brasileiros, tem como um de seus principais resultados, segundo 35% dos beneficiários, a liberação de renda que antes era destinada ao pagamento de dívidas. Esse tipo de intervenção direta no cotidiano, oferecendo um respiro financeiro, tende a gerar um retorno de imagem mais palpável para a gestão federal.
O fantasma do tarifaço e a resposta do governo
Enquanto a avaliação interna do governo parece se fortalecer, um alerta vem do cenário internacional. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, abordou a possibilidade de os Estados Unidos aplicarem tarifas sobre produtos brasileiros. A postura do governo, no entanto, é de não deixar os brasileiros “na mão”. Durigan afirmou que uma Medida Provisória para renegociar dívidas de produtores rurais está sendo elaborada, buscando encerrar a discussão sobre o impacto dessas tarifas no agronegócio. A declaração do ministro é um sinal claro de que o Planalto está atento a possíveis choques externos e pretende responder a eles para proteger setores produtivos e consumidores. Em 2020, vimos um movimento parecido, onde o governo buscou compensações para o setor agrícola diante de barreiras comerciais. A diferença, no entanto, é que agora a percepção geral da economia já é mais positiva, o que pode dar mais fôlego para eventuais medidas de contenção.
Acompanhamento de perto: o STF e o equilíbrio fiscal
Outro ponto que tem gerado movimentação e que afeta diretamente as contas públicas é a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a PEC da aposentadoria dos agentes de saúde. A proposta, aprovada pelo Senado, é considerada uma “pauta-bomba” devido ao seu impacto fiscal bilionário. Na minha leitura, o STF tende a decidir a favor do governo, barrando essa medida para evitar um desequilíbrio nas contas públicas. Esse tipo de julgamento é crucial para manter a sustentabilidade fiscal, algo que venho acompanhando de perto desde 2018, quando o Banco Central começou a sinalizar a importância do controle de gastos em cenários de incerteza. A gestão de gastos públicos é como o controle de um fluxo: se as despesas não são controladas (o funil entope), elas podem consumir todas as receitas disponíveis, prejudicando o planejamento futuro. A decisão do STF, ao que tudo indica, seguirá por um caminho que preserve esse equilíbrio.
O que esperar da confiança econômica?
O cenário atual, com melhora na aprovação do governo e uma percepção econômica mais otimista, sugere uma tendência de aumento da confiança econômica. Essa confiança é um termômetro importantíssimo para o futuro. Quando as famílias e empresas se sentem mais seguras, tendem a investir mais, consumir mais e, consequentemente, gerar mais empregos. O Desenrola 2.0, ao aliviar o peso das dívidas, libera parte da renda que pode ser direcionada para consumo ou investimento, estimulando um ciclo virtuoso na economia. No entanto, a conjuntura internacional, marcada pela possibilidade de tarifas, exige atenção constante. A apuração do The Brazil News mostra que, embora o cenário interno seja favorável, a volatilidade externa ainda representa um ponto de atenção que pode impactar diretamente o poder de compra do brasileiro, caso medidas protecionistas se intensifiquem.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.