Sabe quando você está apertado para pagar as contas e, de repente, surge um imprevisto? A Europa está mais ou menos nessa situação. Mal se recuperando da crise energética causada pela guerra na Ucrânia, o continente agora enfrenta uma nova ameaça: a escalada do conflito no Oriente Médio, com a possibilidade de corte no fornecimento de gás russo e a interrupção da produção no Qatar. E, acredite, isso pode respingar por aqui.

Europa às voltas com a crise do gás

Os preços do gás natural na Europa dispararam essa semana, atingindo o maior patamar desde 2023, informa a Folha. O motivo? A guerra no Oriente Médio paralisou o tráfego de navios no Estreito de Ormuz e forçou o Qatar, um dos maiores fornecedores de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, a interromper a produção. Para piorar, o presidente russo Vladimir Putin acenou com a possibilidade de cortar o fornecimento de gás para a Europa, o que jogou mais lenha na fogueira.

É como se o fluxo de gás estivesse sendo estrangulado. Segundo a Folha, o contrato holandês de primeiro mês, referência para o preço do gás na Europa, já subiu 2%. A situação preocupa, já que a Europa depende do gás para gerar energia e aquecer casas, especialmente durante o inverno.

O fantasma da crise de 2022

A crise atual lembra o pesadelo de 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia gerou uma disparada nos preços da energia e uma forte recessão na Europa. Na época, os governos tiveram que correr para encontrar novas fontes de gás e socorrer empresas em dificuldades. Agora, o cenário se repete, com o agravante de que a economia global já está mais fragilizada.

E o Brasil com isso?

Apesar de estarmos do outro lado do Atlântico, a crise energética na Europa pode ter impacto no Brasil, sim. E não é pouco.

  • Inflação: Se a Europa tiver que pagar mais caro pelo gás, isso pode aumentar a inflação global e pressionar os preços por aqui. Afinal, vivemos em um mundo conectado e os preços das commodities (como petróleo e gás) são definidos no mercado internacional.
  • Crescimento econômico: Uma Europa em crise compra menos do Brasil. Nossos produtos (commodities agrícolas, minério de ferro, etc.) perdem mercado, o que pode prejudicar o crescimento da nossa economia. A China, principal parceiro comercial do Brasil, também pode sentir os efeitos da crise europeia, caso a economia do continente se retraia. E, se a China desacelera, o Brasil sente um resfriado.

Oportunidades em meio à crise?

Nem tudo são más notícias. A crise na Europa pode abrir oportunidades para o Brasil no mercado de gás natural. Com a dificuldade de importar da Rússia e do Qatar, os países europeus podem buscar novos fornecedores, e o Brasil tem potencial para se tornar um exportador de gás natural liquefeito (GNL). Mas, para isso, é preciso investir em infraestrutura e aumentar a produção.

O que esperar?

O cenário é incerto, mas uma coisa é clara: a crise energética na Europa é um sinal de alerta para o Brasil. Precisamos estar preparados para enfrentar os impactos da instabilidade global e buscar alternativas para garantir o nosso crescimento econômico. A meta de crescimento para 2026, ambiciosa, dependerá também da capacidade de navegar nessas águas turbulentas.

E, claro, torcer para que a paz volte a reinar no Oriente Médio e na Europa. Afinal, no fim das contas, a economia é interdependente: quando uma parte sofre, outras também sentem.