A briga lá longe impacta a feira aqui perto. A escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que começou com ataques coordenados no final de fevereiro, já acendeu o sinal de alerta no mercado global. E, como sempre, a conta pode sobrar para o bolso do consumidor brasileiro.

Diesel e Inflação: uma conta salgada

O principal impacto imediato para nós é o aumento do preço do diesel. O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, e a guerra no Oriente Médio, claro, já fez o preço do petróleo disparar. Para você ter uma ideia, as cotações atingiram os maiores patamares desde meados de 2022. É como se o país estivesse andando de carro em uma estrada íngreme: exige mais combustível e esforço para chegar ao destino. E, como alertam representantes do agronegócio, essa é justamente a época de maior demanda por diesel, para escoar a safra recorde de soja e plantar a segunda safra de milho.

E não para por aí. O aumento do diesel afeta diretamente o custo do frete, o que, inevitavelmente, se reflete no preço dos alimentos. Ou seja, prepare-se para ver a inflação dar mais um susto. Aquele arroz e feijão de todo dia podem pesar mais no orçamento. Segundo pesquisa Reuters/Ipsos, 67% dos norte-americanos já esperam que os preços da gasolina nos EUA piorem no próximo ano, após os ataques ao Irã. Por aqui, a gasolina pode até não subir tanto, mas o diesel tem um efeito cascata muito grande.

Fertilizantes e a Fome no Mundo

E tem mais um problema no radar: os fertilizantes. O Golfo Pérsico é um importante produtor de fertilizantes nitrogenados, essenciais para a produção de alimentos em larga escala. Com o Estreito de Ormuz, canal crucial para o transporte de petróleo e gás, virtualmente fechado, a entrega desses fertilizantes fica comprometida. Se isso persistir, o preço dos fertilizantes vai subir, os agricultores podem reduzir o uso, e a oferta mundial de alimentos pode diminuir. O resultado? Mais pessoas passando fome, principalmente nos países mais vulneráveis.

Brasil: Ilha de Calmaria no Caos?

Nem tudo são más notícias. O UBS avalia que o Brasil é um dos países emergentes menos expostos ao conflito no Oriente Médio, impulsionado pelos nossos superávits de petróleo. Mas, claro, isso não significa que estamos imunes aos efeitos da guerra. A alta do diesel e seus impactos na inflação são uma preocupação real.

Alternativas Energéticas: a hora de acelerar

Diante desse cenário, fica ainda mais evidente a importância de investir em alternativas energéticas. O Brasil tem um grande potencial para explorar o biodiesel e o etanol, por exemplo. Além de serem menos poluentes, esses combustíveis podem nos tornar menos dependentes do petróleo importado e, consequentemente, menos vulneráveis a crises geopolíticas como a que estamos vivendo agora. É como ter um guarda-chuva quando o tempo fecha: uma proteção para imprevistos.

Ainda não é hora de entrar em pânico, mas é bom ficar de olho nos próximos capítulos dessa novela. A guerra no Oriente Médio é um lembrete de que a economia global está interligada, e o que acontece do outro lado do mundo pode, sim, impactar a sua vida aqui no Brasil.