Ufa, a tensão diminuiu! Depois de seis semanas de conflito, Estados Unidos e Irã concordaram com um cessar-fogo de duas semanas. A notícia, claro, animou os mercados. O dólar deu uma boa recuada e a bolsa brasileira até ensaiou uma alta. Mas, calma, nem tudo são flores.

A verdade é que a guerra no Oriente Médio já deixou marcas na economia brasileira e global. Mesmo com a trégua, os efeitos devem ser sentidos por um bom tempo. E, como sempre, quem acaba sentindo mais é o bolso do consumidor.

Inflação à vista?

Um dos principais impactos da guerra é a pressão sobre os preços. O aumento do custo da energia, com a interrupção do fornecimento global, já se refletiu no Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI), que subiu 1,14% em março, segundo a FGV. Para ter uma ideia, em fevereiro, o índice tinha caído 0,84%.

De acordo com Matheus Dias, economista do FGV IBRE, o IGP-DI de março já incorpora os efeitos diretos e indiretos do conflito no Oriente Médio. Ou seja, a briga lá longe já está pesando aqui.

E não é só no IGP-DI. A inflação, de forma geral, tende a ser impactada. Se os custos de produção aumentam, as empresas repassam para o consumidor final. É como um efeito cascata: a guerra aumenta o preço do petróleo, que aumenta o preço da gasolina, que aumenta o preço do frete, que aumenta o preço de tudo.

A Verde Asset Management já havia alertado para um cenário de "estagflação" – uma combinação perigosa de economia em desaceleração e inflação persistente. O Banco Central, que já vinha mostrando preocupação com a inflação, agora tem um desafio ainda maior pela frente.

Exportações em queda

Outro setor que já sente o baque da guerra é o agronegócio. As exportações de carne bovina para os Emirados Árabes Unidos, por exemplo, despencaram 49% em março, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Abiec. Para o Egito, a queda foi de 16%, e para a Arábia Saudita, de 7,6%.

A dificuldade de navegação no Oriente Médio, com a escalada da tensão, impactou diretamente as vendas do agro brasileiro para mercados importantes da região. Menos exportação significa menos dinheiro entrando no país, o que pode afetar o desempenho econômico como um todo.

Impacto no PIB

E por falar em desempenho econômico, o Fundo Monetário Internacional (FMI) já alertou: países envolvidos em conflitos podem ter perdas de até 7% do PIB em cinco anos. É como se a economia entrasse em uma espiral descendente, com perdas que se intensificam com o tempo.

Ainda que o Brasil não esteja diretamente envolvido na guerra, os impactos indiretos podem ser significativos. Um cenário global mais instável, com inflação alta e queda nas exportações, pode frear o crescimento do nosso PIB. É como se a economia estivesse enfrentando ventos contrários.

O que esperar?

Ainda é cedo para saber o tamanho exato do estrago. Muita coisa vai depender da duração do cessar-fogo e do desenrolar das negociações entre Estados Unidos e Irã. Mas uma coisa é certa: a guerra no Oriente Médio já está afetando a economia brasileira e, infelizmente, o bolso do brasileiro.

Resta torcer para que a paz se estabeleça o mais rápido possível e que os impactos sejam minimizados. Afinal, a economia já tem desafios suficientes por aqui, não é mesmo?