A escalada da guerra no Oriente Médio, com o Irã lançando novos ataques contra Israel, azedou o humor dos mercados nesta terça-feira. Depois de uma breve esperança de negociação, com declarações do presidente americano Donald Trump, a retomada dos ataques iranianos fez o preço do petróleo disparar novamente. E, como sempre, essa instabilidade lá fora respinga aqui no Brasil.
Petróleo em alta: por que a gasolina fica mais cara?
O barril do petróleo Brent, referência internacional, já ultrapassou a marca de US$ 100, depois de ter recuado com a notícia (que se mostrou infundada) de negociações entre Estados Unidos e Irã. E por que isso importa para você que está lendo este texto? Simples: o preço da gasolina nos postos de combustível está diretamente ligado à cotação do petróleo no mercado internacional.
O Brasil importa parte do petróleo que consome, e a Petrobras (PETR4), mesmo com a política de preços atual, ainda acompanha as variações do mercado externo. Ou seja, se o petróleo sobe lá fora, a tendência é que a gasolina fique mais cara aqui dentro. E não é só a gasolina: o diesel, usado no transporte de cargas e passageiros, também sofre o impacto, o que pode encarecer o frete e, consequentemente, o preço de diversos produtos.
Etanol é alternativa? Nem sempre...
O etanol, uma alternativa teóricamente mais barata, também pode sentir o efeito da alta do petróleo. Isso porque, com a gasolina mais cara, muitos postos de combustíveis misturam mais etanol anidro na gasolina comum, o que aumenta a demanda pelo biocombustível e pode elevar seu preço.
Inflação à vista: alimentos e outros produtos podem subir
O aumento do preço dos combustíveis tem um efeito cascata na economia. Como o transporte de mercadorias no Brasil é majoritariamente feito por caminhões, o diesel mais caro impacta o custo do frete, o que eleva o preço de alimentos, roupas, eletrônicos e praticamente tudo que você consome. É a famosa inflação batendo à porta.
Para entender melhor, imagine a seguinte situação: um produtor de tomate em Minas Gerais precisa enviar sua produção para São Paulo. Se o custo do diesel aumenta, o frete fica mais caro, e o produtor precisa repassar esse custo para o atacadista. O atacadista, por sua vez, repassa o aumento para o supermercado, que finalmente repassa para o consumidor final. No fim das contas, o tomate que você compra no supermercado fica mais caro por causa da guerra no Oriente Médio.
O que o Governo pode fazer?
O Ministério da Fazenda acompanha de perto a situação e avalia medidas para mitigar os impactos da alta do petróleo na economia brasileira. Uma das opções é a redução de impostos sobre os combustíveis, mas essa medida tem um custo fiscal elevado e pode comprometer as contas públicas. O Governo também pode atuar por meio da Petrobras, buscando alternativas para reduzir a dependência do mercado internacional e estabilizar os preços internos.
Vale lembrar que o Banco Central também está atento à inflação. Se a alta do petróleo pressionar os preços, a instituição pode elevar a taxa Selic, a taxa básica de juros da economia, para conter a inflação. No entanto, a Selic mais alta encarece o crédito, o que pode frear o crescimento econômico.
O Brasil é refém do petróleo?
Embora o Brasil tenha investido em fontes de energia renováveis, como a eólica e a solar, o país ainda é muito dependente do petróleo, principalmente no setor de transportes. Reduzir essa dependência é um desafio de longo prazo, que exige investimentos em infraestrutura, incentivos à produção de biocombustíveis e o desenvolvimento de novas tecnologias.
Noruega, Canadá e Rússia: os 'ganhadores' da guerra
Enquanto a maioria dos países sofre com a alta do petróleo, alguns poucos se beneficiam da situação. Segundo o G1, países como Noruega, Canadá e Rússia, grandes produtores de petróleo e gás, veem suas receitas aumentarem com a elevação dos preços.
Afinal, em tempos de guerra, quem produz energia tem o poder. E, infelizmente, quem depende dessa energia, como o Brasil, acaba pagando a conta.
E o seu bolso?
Em resumo, a guerra no Oriente Médio, com a consequente alta do petróleo, pode impactar o seu bolso de diversas formas: gasolina mais cara, alimentos mais caros, crédito mais caro e, consequentemente, um custo de vida mais elevado. Ficar de olho nas notícias e planejar os gastos são medidas importantes para enfrentar esse cenário de incertezas.
E para quem pensa em viajar, é bom ficar atento aos preços das passagens aéreas. O querosene de aviação, derivado do petróleo, também deve subir, o que pode encarecer as viagens.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.