A tensão no Oriente Médio escalou de vez e, como sempre acontece quando o assunto é guerra e petróleo, o Brasil sente o impacto. A boa notícia é que, dessa vez, estamos um pouco mais preparados para o tranco. Mas não se iluda: a conta vai chegar, e é bom entender como ela é formada.

Petróleo nas alturas: por que a guerra Irã x EUA afeta o Brasil?

A principal razão é simples: o Brasil, apesar de ser um produtor importante de petróleo, ainda depende das oscilações do mercado internacional. Quando a oferta global diminui (por causa de bloqueios de rotas de exportação, por exemplo), o preço sobe. E isso se reflete em tudo o que você consome.

Para entender a dimensão do problema, vale lembrar que o Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica por onde escoa boa parte do petróleo mundial, está bloqueado. Imagine que é como diminuir drasticamente a vazão da principal torneira que abastece o mundo: a escassez relativa faz o preço disparar.

A gasolina vai pesar mais no bolso

O efeito mais imediato da alta do petróleo é no preço dos combustíveis. E não é só a gasolina que sobe. O diesel, usado no transporte de cargas e passageiros, também fica mais caro, o que impacta o custo de vida de todo mundo. Afinal, quase tudo que consumimos no dia a dia é transportado por caminhão.

Especialmente para quem depende do carro para trabalhar ou para levar os filhos à escola, essa alta pesa bastante. É como se, de repente, seu salário comprasse menos.

Lucro nas bombas?

E não para por aí. Um levantamento do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps) mostra que, desde o início da guerra no Irã, as margens de lucro de distribuidoras e postos de combustíveis aumentaram em mais de 30% em produtos como diesel S-10, diesel S-500 e gasolina comum. No diesel S-500, usado em veículos mais antigos, a alta foi de 71,6%.

Ou seja, além do aumento do preço do petróleo, tem também quem está aproveitando o momento para engordar o caixa. É como se, em meio à crise, alguns aproveitassem para maximizar seus lucros.

Inflação à vista: o que mais deve subir de preço?

O aumento dos combustíveis, como vimos, tem um efeito cascata na economia. Além do transporte de mercadorias, a gasolina e o diesel também são usados na produção de diversos bens e serviços. Resultado: a inflação, que já vinha dando sinais de alerta, tende a acelerar ainda mais.

Se a inflação sobe, o seu poder de compra diminui. É como se cada vez menos coisas coubessem no seu carrinho de compras com a mesma quantia de dinheiro.

Alimentos mais caros: o agro no meio do fogo cruzado

O agronegócio brasileiro, um dos pilares da nossa economia, também sente o baque da guerra no Oriente Médio. O aumento do preço dos fertilizantes, que são importados, eleva o custo de produção dos alimentos. E, claro, esse custo acaba sendo repassado para o consumidor.

Para piorar, com o bloqueio do Estreito de Ormuz, o Brasil fechou um acordo com a Turquia para garantir uma rota alternativa para as exportações do agronegócio, informou o Ministério da Agricultura. A medida visa evitar um desabastecimento no Oriente Médio e na Ásia Central, mas pode gerar custos adicionais para os exportadores brasileiros.

Nem tudo está perdido: as armas do Brasil contra a crise

Apesar do cenário desafiador, o Brasil tem algumas cartas na manga para enfrentar a crise do petróleo. Uma delas é o investimento em biocombustíveis. Como destacou a revista britânica The Economist, o país construiu “a indústria de biocombustíveis mais sofisticada do mundo”.

Os biocombustíveis, como o etanol, podem substituir a gasolina em parte dos veículos, reduzindo a dependência do petróleo importado. É como se tivéssemos uma alternativa para reduzir a dependência do petróleo importado.

Juros altos: o lado bom (e o lado ruim)

Outra vantagem, segundo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, é que o Brasil já vinha adotando uma política de juros altos para conter a inflação. Essa medida, embora tenha um impacto negativo no crescimento da economia, ajuda a segurar os preços em momentos de crise.

É como se o governo estivesse segurando as rédeas da economia para evitar que a inflação descontrolada cause um estrago maior. Mas, como tudo na vida, essa estratégia tem um custo: o crédito fica mais caro, o que dificulta o consumo e o investimento.

O que esperar do futuro?

É difícil prever o que vai acontecer nos próximos meses. A guerra no Oriente Médio é um barril de pólvora, e qualquer faísca pode acender um novo conflito. Mas uma coisa é certa: o Brasil precisa estar preparado para enfrentar os desafios que virão pela frente.

Isso significa investir em fontes alternativas de energia, diversificar as rotas de exportação e, principalmente, proteger o poder de compra do brasileiro. Afinal, no fim das contas, é o seu bolso que sente o impacto de cada notícia que vem do outro lado do mundo.