A conta da guerra no Oriente Médio chegou mais rápido do que a gente imaginava. A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, com ataques a instalações de petróleo na região, fez o preço do barril disparar e já impacta diretamente o diesel, um dos combustíveis mais importantes para a economia brasileira.
Para quem não sabe, quase tudo que consumimos no Brasil passa pelas estradas, em caminhões movidos a diesel. Se o preço do diesel sobe, o custo do transporte aumenta e, no fim das contas, a gente paga mais caro por tudo – desde o tomate no supermercado até a geladeira nova.
Diesel nas alturas: por que está tão caro?
De acordo com o Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, em parceria com a Fipe, o preço médio do diesel já chegou a R$ 7,17 por litro na segunda semana de março. Antes da guerra, no final de fevereiro, o preço médio era de R$ 6,06. Um aumento considerável em poucas semanas.
O diesel é mais sensível a essas variações porque o Brasil importa boa parte do que consome. Com a alta do petróleo no mercado internacional e a valorização do dólar (que já passou de R$ 5,20), fica mais caro comprar o combustível lá fora.
Para se ter uma ideia, a cotação do petróleo Brent, referência internacional, chegou a bater US$ 119 por barril após os ataques no Irã, Arábia Saudita e Qatar, como apurou a Folha de S.Paulo. Depois, recuou para cerca de US$ 110, mas ainda assim, um patamar elevado.
O efeito cascata na economia
Especialistas alertam que essa alta do diesel pode ter um impacto considerável na inflação. Fábio Romão, sócio da Logos Economia, disse ao G1 que o aumento pode elevar a inflação em 0,11 ponto percentual em 2026. Parece pouco, mas no final das contas, faz diferença no nosso bolso.
Segundo o economista, o impacto mais imediato é o aumento do próprio diesel, mas os efeitos indiretos se espalham ao longo dos próximos meses, encarecendo alimentos, produtos industriais e serviços. É como uma bola de neve: o diesel sobe, o frete sobe, o preço dos produtos sobe e a gente paga a conta.
Governo tenta acordo para baixar o ICMS
Diante desse cenário, o governo federal está tentando negociar com os governadores para zerar o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre a importação do diesel. A ideia é que a União compense parte das perdas dos estados, mas a negociação não está fácil.
O governo propôs zerar o ICMS até o final de maio, com a União ressarcindo metade das perdas dos estados. Segundo o Ministério da Fazenda, a isenção custaria R$ 3 bilhões por mês, com o governo federal arcando com R$ 1,5 bilhão.
Mas os governadores resistem. Secretários de Fazenda de estados importantes, como São Paulo, avaliam que não dá para abrir mão dessa arrecadação, que é uma das principais fontes de receita dos estados.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, chegou a apresentar uma contraproposta, que será analisada em uma reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Ou seja, a novela está longe de terminar.
Por que o ICMS é tão importante?
O ICMS é um imposto estadual, ou seja, cada estado tem autonomia para definir suas alíquotas. Ele incide sobre a circulação de mercadorias e serviços e é uma das principais fontes de receita para os estados investirem em áreas como saúde, educação e segurança.
Abrir mão dessa receita, mesmo que temporariamente, pode comprometer as contas públicas dos estados e dificultar a prestação de serviços essenciais à população. Por isso, a negociação entre governo federal e governadores é tão delicada.
O que esperar daqui para frente?
É difícil prever o que vai acontecer com os preços dos combustíveis nas próximas semanas. Tudo depende da evolução da guerra no Oriente Médio, da cotação do petróleo e do dólar, e do desfecho da negociação entre governo e estados sobre o ICMS.
Uma coisa é certa: o consumidor brasileiro, mais uma vez, está no meio desse fogo cruzado. Resta torcer para que as autoridades encontrem uma solução que minimize o impacto no nosso bolso e evite um aumento ainda maior da inflação.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.