Sábado, fim de fevereiro, e o noticiário nos joga um balde de água fria: ataques no Irã, companhias aéreas cancelando voos e, para completar, aumento no preço do querosene de aviação. Calma, respira fundo. Eu sei que parece o roteiro de um filme de terror, mas vamos entender o que está acontecendo e, principalmente, como isso afeta o seu bolso.

Petróleo em alta: a gasolina agradece (só que não)

O estopim dessa confusão toda foi o aumento da tensão entre Estados Unidos e Irã. Como mostrou o G1, a possibilidade de bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa uma fatia considerável do petróleo mundial, já faz o preço do barril disparar. E, como a Petrobras (PETR4) reajusta o preço dos combustíveis de acordo com o mercado internacional, já podemos esperar reflexos nos postos de gasolina. Se prepare para ver a gasolina encostando nos R$ 7 – ou até passando, dependendo da sua região.

É como um efeito dominó: a alta do barril lá fora derruba o nosso bolso aqui. Para quem depende do carro para trabalhar ou se locomover, essa alta da gasolina pesa (e muito!) no orçamento. A dica é pesquisar os preços, usar aplicativos de desconto e, se possível, optar por transportes alternativos como bicicleta ou transporte público.

Voos cancelados e passagens nas alturas

Além do petróleo, a instabilidade no Oriente Médio também afeta o setor aéreo. Dezenas de companhias cancelaram voos para a região, o que causa um efeito cascata: menos oferta de assentos, passagens mais caras e dores de cabeça para quem já tinha viagem marcada. Se você tem planos de viajar para o exterior, principalmente para destinos mais distantes, fique de olho nos preços das passagens e, se possível, antecipe a compra ou considere outras rotas.

Querosene mais caro, passagem mais salgada

Como se não bastasse a turbulência geopolítica, a Petrobras anunciou um aumento de 9,4% no preço do querosene de aviação (QAV) a partir de domingo. Pode parecer um detalhe técnico, mas esse aumento do QAV impacta diretamente o preço das passagens aéreas. As empresas aéreas, pressionadas pelos custos, tendem a repassar o aumento para o consumidor. Ou seja, mais um golpe no bolso de quem precisa voar.

Brasil Soberano 2.0 e o fantasma do imposto de importação

E como se não bastasse a conjuntura internacional, internamente, o governo reacende a discussão sobre aumentar o imposto de importação sobre eletrônicos. A justificativa é o famigerado “Brasil Soberano 2.0”, um projeto que, na prática, significa proteger a indústria nacional – mesmo que isso signifique preços mais altos para o consumidor.

A lógica é a seguinte: ao aumentar o imposto de importação, os produtos estrangeiros ficam mais caros, o que teoricamente incentiva a compra de produtos nacionais. O problema é que, muitas vezes, a indústria nacional não consegue suprir a demanda ou oferecer produtos com a mesma qualidade e tecnologia dos importados. O resultado? O consumidor paga mais caro por produtos, digamos, “menos modernos”.

E quem gosta de comprar eletrônicos importados, como celulares e computadores, vai sentir a mordida no bolso. Se o imposto de importação aumentar, prepare-se para desembolsar uma grana extra para comprar aquele smartphone dos sonhos. Ou, quem sabe, adiar a compra até que a poeira (ou a tarifa) abaixe.

O que fazer para se proteger?

Diante desse cenário turbulento, a palavra de ordem é: planejamento. Monitore os preços dos combustíveis, pesquise passagens aéreas com antecedência e fique de olho nas notícias sobre o imposto de importação. Se você tem dinheiro guardado, considere investir em ativos atrelados ao dólar ou ao petróleo, que tendem a se valorizar em momentos de crise. Mas lembre-se: antes de investir, consulte um profissional para entender seus objetivos e tolerância ao risco.

A economia tem seus momentos de ascensão e queda, como ciclos naturais. O importante é não se desesperar e tomar decisões informadas. E, claro, torcer para que a paz volte a reinar no Oriente Médio e que o governo brasileiro repense essa ideia de taxar os eletrônicos. Afinal, ninguém merece pagar mais caro para voar ou ter um celular novo, não é mesmo?