A instabilidade no Oriente Médio, com os recentes ataques entre Irã, Estados Unidos e Israel, está mexendo com o mercado global de petróleo. E quando o petróleo balança, a economia mundial sente o tremor, inclusive aqui no Brasil. Mas, calma, vamos entender o que está acontecendo e como isso pode afetar o seu dia a dia.

Por que o petróleo está subindo?

Imagine que o petróleo é o combustível que move a economia mundial. Se a produção diminui ou fica ameaçada, o preço sobe. É o que está acontecendo agora: os conflitos no Oriente Médio, uma região chave na produção de petróleo, geram incerteza e medo de que a oferta diminua. Navios petroleiros estão sendo atacados, rotas de transporte estão sob ameaça, e a lei da oferta e procura entra em ação, empurrando os preços para cima.

Para ter uma ideia, o preço do barril de petróleo Brent, referência internacional, já ultrapassou os US$ 100 novamente após os ataques.

O que os países estão fazendo para conter a alta?

Diante desse cenário, diversos países estão tomando medidas para tentar segurar a onda. A Agência Internacional de Energia (AIE), que reúne 32 países, inclusive os Estados Unidos, decidiu liberar parte de suas reservas estratégicas de petróleo, um total de 400 milhões de barris. É como se fosse um “estoque de emergência” para aumentar a oferta e tentar acalmar o mercado.

Os Estados Unidos, por exemplo, vão liberar 172 milhões de barris de sua reserva, segundo o secretário de Energia, Chris Wright. Essa liberação deve acontecer ao longo de 120 dias, começando na próxima semana.

Outros países também estão agindo. A Coreia do Sul vai impor um teto para os preços dos combustíveis a partir de amanhã (13), e também vai restringir o armazenamento de derivados de petróleo. Já a Austrália autorizou uma mudança na composição do combustível, permitindo níveis mais altos de enxofre, para aumentar a disponibilidade no mercado interno. A ideia é redirecionar combustível que seria exportado para o consumo interno, cerca de 100 milhões de litros, como informou o ministro da energia australiano, Chris Bowen.

Como isso afeta o bolso do brasileiro?

A alta do petróleo no mercado internacional se reflete nos preços dos combustíveis por aqui. Gasolina, etanol e diesel ficam mais caros, o que impacta diretamente o custo de vida. Afinal, o transporte de mercadorias e pessoas depende desses combustíveis, e o aumento nos preços acaba sendo repassado para o consumidor final.

Se a gasolina sobe, o frete também aumenta, e o supermercado fica mais caro. Se o diesel sobe, o transporte público também pode ficar mais caro. É uma reação em cadeia que afeta o orçamento de todo mundo.

Além disso, a inflação, que já é uma preocupação constante para os brasileiros, pode ser ainda mais pressionada pela alta do petróleo. A expectativa é que o Banco Central continue monitorando a situação de perto e, se necessário, utilize instrumentos como a taxa Selic (a taxa básica de juros da economia) para tentar conter a inflação. Se a Selic sobe, é como se o ritmo da economia diminuísse – tudo fica mais caro, o crédito fica mais difícil e as pessoas tendem a gastar menos.

O que podemos esperar?

É difícil prever o futuro, mas a expectativa é de que o mercado de petróleo continue volátil enquanto a situação no Oriente Médio não se estabilizar. As medidas que os países estão tomando para aumentar a oferta e controlar os preços podem ajudar a aliviar a pressão, mas não resolvem o problema de forma definitiva.

Para o consumidor brasileiro, a dica é pesquisar preços antes de abastecer o carro e tentar economizar combustível. No longo prazo, investir em alternativas de transporte mais eficientes e sustentáveis pode ser uma boa opção.