Ainda estamos digerindo o aumento do tomate no supermercado, e já tem mais turbulência vindo por aí. A escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio não é só uma questão geopolítica distante; ela tem potencial para mexer com o seu bolso aqui no Brasil. E não é só no preço da gasolina, não.

Juros nos EUA: o que o Fed está pensando?

O Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, está em compasso de espera. Alberto Musalem, presidente do Fed de St. Louis, já avisou que não vê necessidade de mexer nos juros americanos por enquanto. A taxa básica por lá deve permanecer estável, mas com um olho bem aberto nos riscos de inflação que vêm do Oriente Médio. Afinal, como ele mesmo disse, a perspectiva econômica é 'altamente incerta'.

E por que isso importa para nós? Simples: se os juros nos EUA sobem, os investidores tendem a tirar dinheiro de países como o Brasil para aplicar em títulos americanos, considerados mais seguros. Isso pode valorizar o dólar e, consequentemente, encarecer produtos importados e pressionar a inflação por aqui.

Petróleo e o fantasma da inflação

Musalem também alertou que 'preços mais altos de combustíveis, alumínio e fertilizantes' podem afetar a economia americana. E adivinha quem também sente esse impacto? Nós mesmos. A gasolina já está mais cara nos postos, e não precisa ser nenhum especialista para saber que isso pesa no orçamento de todo mundo, desde o motorista de aplicativo até a dona de casa que precisa ir ao supermercado.

A preocupação do Fed, como destacou Musalem, é que os riscos para o mercado de trabalho e para a inflação apontem para um cenário desfavorável: menos empregos e inflação persistente acima da meta. Se a inflação americana não ceder, a pressão para que o Fed mantenha os juros altos por mais tempo aumenta, com reflexos em todo o mundo.

Nike no vermelho: um sinal dos tempos?

Para completar o cenário, as ações da Nike chegaram a despencar 13,5% nesta quarta-feira (1°), atingindo o menor patamar em uma década, após a empresa reduzir sua previsão de vendas. Segundo apuração da Folha, a gigante de artigos esportivos atribuiu a queda à redução na demanda da China, impactada pela guerra. Isso mostra como a instabilidade global pode afetar até mesmo empresas de grande porte, com consequências para empregos e investimentos.

E os seus investimentos?

Se você tem investimentos em fundos imobiliários (FIIs) ou outros ativos atrelados ao mercado imobiliário, é bom ficar de olho. A alta do dólar e a incerteza econômica podem impactar o setor, principalmente se a inflação persistir e o Banco Central precisar subir os juros para conter os preços. Se a Selic sobe, tudo fica mais caro e as pessoas gastam menos, o que pode afetar o desempenho de shoppings, escritórios e outros imóveis comerciais.

Ainda é cedo para prever o tamanho do estrago, mas o recado está dado: a guerra no Oriente Médio não é um problema distante. Ela já está influenciando as decisões do Fed e, em breve, pode chegar à sua fatura do cartão de crédito.