A escalada das tensões no Oriente Médio, com o recente conflito entre Israel e Estados Unidos contra o Irã, afeta negativamente a economia global e, inevitavelmente, o bolso do brasileiro. A partir de maio de 2026, o preço do botijão de gás de cozinha, item indispensável em mais de 15 milhões de lares, sofreu um reajuste. O programa social 'Gás do Povo', que garante o acesso a esse insumo para famílias de baixa renda, precisou atualizar o valor do seu voucher para tentar mitigar o impacto do aumento nos custos, que está diretamente atrelado à disparada do preço do petróleo.

Essa elevação no custo do gás de cozinha não surge do nada. Ela é uma consequência direta da instabilidade na região do Golfo de Omã. A guerra, que tem levado o governo dos EUA a impor sanções ao Irã e a restringir o tráfego marítimo em uma das rotas mais estratégicas do mundo – por onde passa cerca de 20% do petróleo global –, inflaciona o preço da commodity. Segundo informações do site americano Axios, as restrições impostas pelos Estados Unidos já custaram aos cofres iranianos cerca de US$ 4,8 bilhões em receitas de petróleo. Essa pressão econômica sobre Teerã, embora vise negociar o fim do conflito, acaba por encarecer produtos essenciais para o dia a dia de diversas nações, incluindo o Brasil.

A volatilidade do preço do petróleo Brent

O barril de petróleo Brent (PETR4), referência internacional, tem se mantido acima dos US$ 110, mesmo com algumas propostas de retomada de diálogo entre o Irã e os Estados Unidos. Essa volatilidade no mercado internacional de energia gera muita incerteza e prejudica o planejamento financeiro das famílias. Se o petróleo sobe, a cadeia produtiva inteira sente o repasse, desde o transporte até a produção de bens industrializados.

Impacto no Agronegócio Brasileiro

E o nosso agronegócio? Não escapa dessa tormenta. A Agrishow, a maior feira de tecnologia agrícola do país, encerrou sua edição de 2026 com uma queda considerável de 22% no volume de negócios. A expectativa de negócios prospectados ficou em R$ 11,4 bilhões, R$ 3,2 bilhões a menos que no ano anterior. Os desdobramentos da guerra no Oriente Médio são citados como um dos fatores cruciais para esse desempenho, juntamente com as altas taxas de juros que dificultam o acesso ao crédito e a baixa no preço de algumas commodities. Os custos de produção para o agricultor aumentam, enquanto seu poder de investimento diminui, afetando toda a cadeia de suprimentos e, consequentemente, os preços que chegam às prateleiras dos supermercados.

O efeito cascata no consumidor final

Para o consumidor final, a ligação entre a guerra no Oriente Médio e o preço do botijão de gás parece distante, mas o que acontece na prática é que o preço do petróleo afeta o custo de importação de insumos e a logística de transporte, elevando o preço final de diversos produtos. O impacto mais imediato é sentido no bolso, seja pelo aumento do combustível para se deslocar, seja pela conta de luz – já que muitas termelétricas usam gás natural –, ou, como vimos, pelo próprio gás de cozinha. A esperança é que os esforços diplomáticos tragam uma trégua para os conflitos e, com isso, uma estabilização nos preços que tanto afetam a vida de milhões de brasileiros.