Quem acompanha a economia sabe: não tem maré sempre favorável. E no Brasil, a previsão para os próximos meses tem alguns pontos de atenção. A inteligência artificial, as contas públicas e a situação de algumas empresas são os principais nós a serem desatados. Vamos entender o que está em jogo e como isso pode afetar o seu bolso.

IA: Nem tudo que reluz é ouro

A inteligência artificial (IA) virou a nova coqueluche do mercado. Promete aumentar a produtividade, otimizar processos e revolucionar a economia. Mas, como nem tudo são flores, é preciso ter cautela. Um estudo recente do Banco de Compensações Internacionais (BIS) aponta que os países emergentes, como o Brasil, podem demorar mais para colher os frutos da IA em comparação com as economias avançadas.

O BIS estima que a IA generativa pode aumentar a produtividade em algumas tarefas específicas entre 10% e 65%. Áreas como programação, consultoria e redação profissional devem ser as mais impactadas. Mas calma! Isso não significa que o Brasil vai ficar para trás. A questão é que a adoção da IA exige investimentos em infraestrutura, capacitação de mão de obra e regulamentação. E nem todos os países estão preparados para isso.

No seu bolso: Se a IA não trouxer os ganhos esperados em produtividade, o ritmo de crescimento da economia pode ser mais lento. E isso significa menos oportunidades de emprego e renda para você.

A fragilidade fiscal: um dos principais desafios do Brasil

Quem acompanha as notícias de economia já deve estar cansado de ouvir falar em “ajuste fiscal”. Mas o fato é que, sem ele, o Brasil não consegue deslanchar. A agência de classificação de risco Fitch Ratings, por exemplo, já avisou: para elevar a nota de crédito do Brasil para ‘BB+’, é preciso um plano fiscal crível no médio prazo. Hoje, o país está classificado como ‘BB’, dois degraus abaixo do chamado “grau de investimento”.

A Fitch explica que não é preciso um ajuste fiscal completo para melhorar a nota do Brasil. Mas é fundamental que o governo mostre progresso e transmita confiança de que as contas públicas vão melhorar. A principal vulnerabilidade do Brasil, segundo a agência, é justamente a sua situação fiscal frágil. Ou seja, gastamos mais do que arrecadamos, e a dívida pública só faz aumentar.

No seu bolso: Se o governo não controlar os gastos e a dívida continuar subindo, a inflação pode voltar a assustar. E aí, o seu poder de compra diminui. Além disso, juros altos para conter a inflação também pesam no bolso, encarecendo financiamentos e empréstimos.

Turbulência nos céus e nos cosméticos

A vida de algumas empresas brasileiras também anda agitada. A Azul, por exemplo, está em meio a uma renegociação de dívidas. A empresa aérea busca alternativas para alongar prazos e reduzir o peso dos compromissos financeiros. Uma reestruturação bem-sucedida é crucial para garantir a saúde da companhia e evitar um colapso.

No setor de cosméticos, a Natura também enfrenta seus desafios. Após a venda da Avon International, a empresa busca um aporte de capital para fortalecer o caixa e investir em novas estratégias. A venda da Avon Rússia também está nos planos da companhia, como parte de um processo de reestruturação global.

No seu bolso: A situação dessas empresas, embora específica, serve de alerta. Quando grandes companhias enfrentam dificuldades, o impacto pode se espalhar por toda a economia, afetando empregos, investimentos e a confiança do consumidor.

O que esperar?

O cenário econômico brasileiro é complexo e cheio de nuances. A combinação de desafios internos e externos exige atenção e cautela. A inteligência artificial, o ajuste fiscal e a situação das empresas são apenas alguns dos pontos a serem monitorados de perto. E, como sempre, o seu bolso é o termômetro que vai medir o impacto de tudo isso no dia a dia.