Uma notícia boa para quem aluga: o IGP-M, aquele índice que muitos contratos usam para reajustar o aluguel, continua em queda. A primeira prévia de março mostrou deflação de 0,19%, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). É menos intenso que a queda de 0,49% vista em fevereiro, mas ainda assim, um respiro no orçamento.

O que pesa no bolso dos brasileiros?

Apesar do alívio no 'bolso do inquilino', o cenário macroeconômico ainda exige atenção. Lideranças de grandes empresas que participaram do evento Rumos 2026, do Valor Econômico, apontaram que os juros altos continuam sendo um obstáculo para o crescimento do país. Se a Selic não ceder, fica difícil para as empresas tomarem crédito para investir e expandir seus negócios. E menos investimento significa menos geração de empregos e renda para a população.

Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza (MGLU3), ressaltou as dificuldades no acesso ao crédito para o setor varejista, o que acaba limitando investimentos e a expansão das empresas. É como se o país estivesse andando com o freio de mão puxado: a economia não consegue desenvolver todo o seu potencial.

Ajuste fiscal e a novela dos gastos públicos

O governo também tem seus desafios. Rogério Ceron, secretário do Tesouro, defendeu a necessidade de acelerar o ajuste fiscal para estabilizar a relação dívida/PIB. Ele argumenta que o momento é propício para enfrentar o crescimento dos gastos públicos, inclusive com uma nova reforma da Previdência. A despesa com previdência saltou de 1% para 3% do PIB em apenas uma década. É um rombo considerável!

Ceron reconhece que o arcabouço fiscal atual tem suas exceções, mas pondera que é difícil evitar isso na prática. O importante, segundo ele, é não retroceder e buscar calibrar o arcabouço na direção certa. Em outras palavras, o governo precisa fazer um esforço para controlar as contas e garantir a saúde financeira do país.

E o futuro?

A expectativa é que o Banco Central inicie, em breve, um ciclo de cortes na taxa de juros. Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, disse acreditar que a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) deve trazer o primeiro corte após um longo período de manutenção da Selic em patamares elevados. Resta saber se essa redução será suficiente para destravar os investimentos e impulsionar a economia brasileira.

Se os juros caírem, é como se o motor da economia recebesse um novo impulso. As empresas teriam mais facilidade para tomar crédito, investir em novos projetos e contratar funcionários. Isso, por sua vez, geraria mais renda para a população, que poderia consumir mais e impulsionar ainda mais o crescimento. Mas, para que isso aconteça de forma sustentável, é fundamental que o governo continue fazendo o seu dever de casa, controlando os gastos públicos e buscando formas de aumentar a arrecadação.

Afinal, não adianta acelerar o carro se o tanque está furado, não é mesmo?