O bolso do brasileiro pode dar uma respirada neste fim de maio. Para quem declarou o Imposto de Renda e tem direito à restituição, a expectativa é de ver o dinheiro caindo na conta. A Receita Federal liberou nesta quinta-feira (21) a consulta para o primeiro lote de restituições do Imposto de Renda 2026, que será pago na próxima sexta-feira (29). E o volume é histórico: R$ 16 bilhões a serem distribuídos para mais de 8,7 milhões de contribuintes.

Esse primeiro lote, aliás, não terá correção monetária, já que ele coincide com o último dia para a entrega da declaração. A justificativa da Receita é que o pagamento é feito dentro do prazo. O dinheiro, que entrará na conta ou via Pix informado pelo contribuinte, pode fazer uma diferença significativa no orçamento familiar, seja para quitar pendências, repor o estoque de supermercado ou até mesmo planejar uma pequena viagem. A consulta ao dinheiro que pode entrar na sua conta está disponível a partir desta sexta-feira (22) no aplicativo e site oficial do órgão.

Os contemplados prioritários, como idosos, pessoas com deficiência, professores e quem utilizou a declaração pré-preenchida com opção de PIX, já sabem que o dinheiro está a caminho. Mas a novidade é o tamanho do bolo: um valor que, segundo o G1 Economia, é o maior já pago pela Receita Federal em um único lote de restituição, incluindo valores de anos anteriores. A expectativa é que, somando o segundo lote agendado para 30 de junho, cerca de 80% de todas as restituições previstas para este ano já tenham sido pagas.

Desenrola 2.0: Um Novo Capítulo na Renegociação de Dívidas

Enquanto o dinheiro do Imposto de Renda pode vir como um alívio pontual, o programa Desenrola, agora em sua versão 2.0, mira em uma solução mais estrutural para quem está com o nome sujo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que mais de um milhão de pessoas já foram beneficiadas pela iniciativa. A promessa é de facilitar a quitação ou renegociação de dívidas que afetam diretamente o dia a dia de milhões de brasileiros.

No eixo voltado para famílias, mais de 449 mil dívidas foram quitadas à vista com descontos médios de impressionantes 85%. Do total de R$ 1 bilhão em débitos, foram pagos R$ 154 milhões. Essa é uma notícia que pode significar a volta ao mercado de crédito para muitas pessoas, abrindo portas para novas oportunidades de consumo ou investimento, sem aquela eterna trava do nome negativado.

Além das quitações, o programa também atuou na renegociação. São 685,5 mil dívidas refinanciadas, também com um generoso desconto médio de 85%. O montante original dessas operações era de R$ 9 bilhões, e o valor efetivamente renegociado chega a R$ 1,3 bilhão. Para estudantes que contrataram o Fies, a notícia é igualmente animadora: 34 mil contratos já foram refinanciados, com um desconto médio de 80%. De R$ 2 bilhões, o valor renegociado caiu para R$ 410 milhões. Imagine a tranquilidade de ter uma dívida educacional, que muitas vezes parece eterna, com um peso menor no orçamento.

O Efeito Combinado no Custo de Vida

A combinação da restituição do Imposto de Renda com o avanço do Desenrola 2.0 pode ter um impacto interessante no radar do custo de vida. Por um lado, o dinheiro extra na conta de quem recebe a restituição tende a impulsionar o consumo em setores como varejo, lazer e até mesmo serviços. Isso pode aquecer a economia, gerando um ciclo positivo.

Por outro lado, para quem consegue renegociar suas dívidas com descontos significativos, a liberação de recursos que antes eram destinados ao pagamento de juros altos pode ser direcionada para despesas essenciais ou para a formação de uma reserva de emergência. Isso, em tese, alivia a pressão sobre o orçamento doméstico e pode até dar um fôlego para que as famílias não se endividem novamente com produtos e serviços com juros mais elevados, como o cheque especial ou o rotativo do cartão de crédito, justamente as dívidas que o Desenrola mira.

No âmbito empresarial, o Desenrola também está ativo. O Programa Nacional de Apoio a Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) já registrou 31 mil operações que somam R$ 5,1 bilhões. Para os Microempreendedores Individuais (MEIs) e microempresas, o programa Proced já realizou 9.703 operações, totalizando R$ 396 milhões. Isso significa que, além do alívio para o consumidor final, o governo busca dar um fôlego para o setor produtivo, que gera empregos e movimenta a economia.

A expectativa é que esses movimentos combinados — mais dinheiro circulando via restituição e menos gente afogada em dívidas — possam, a médio prazo, ter um efeito positivo no poder de compra do brasileiro. No entanto, é fundamental acompanhar se essa melhora será sustentada e se as condições de crédito continuarão acessíveis para que as famílias e empresas possam usufruir desse novo momento.