É como tentar decolar um avião numa pista curta: a velocidade aumenta, mas a sensação é que falta espaço para ganhar altitude. Essa é a sensação que os últimos dados da economia brasileira nos dão. De um lado, a indústria mostra um fôlego novo, com a produção crescendo em grande parte do país. De outro, a inflação continua teimosa, corroendo o poder de compra das famílias.

Indústria reage, mas...

O IBGE divulgou nesta quinta-feira que a produção industrial cresceu em 11 dos 15 locais pesquisados em fevereiro, comparado com janeiro. Destaque para o Espírito Santo, com um salto de 11,6%, seguido pelo Rio Grande do Sul (6,7%) e Bahia (3,2%). Essa expansão da atividade industrial é um sinal positivo, indicando que as empresas estão voltando a produzir mais e, consequentemente, podem gerar mais empregos.

É importante lembrar que essa comparação é entre fevereiro e janeiro. Se olharmos para o desempenho da indústria em relação a fevereiro do ano passado, a história já é um pouco diferente. A produção industrial caiu em nove dos 18 locais pesquisados, influenciada, em parte, por dois dias úteis a menos em fevereiro deste ano. Apesar disso, o bom desempenho de alguns estados, como o Espírito Santo (com um crescimento de 31,3% na comparação anual), mostra que há setores e regiões com um dinamismo maior.

O que impulsiona o crescimento?

Vários fatores podem estar contribuindo para essa retomada gradual da indústria. A melhora no cenário internacional, com o fim das políticas de juros altos nos Estados Unidos e na Europa, pode estar ajudando a impulsionar as exportações brasileiras. Além disso, a demanda interna também pode estar se recuperando, com a volta do emprego formal, ainda que aos poucos, e a continuidade dos programas de transferência de renda. Se mais gente tem dinheiro no bolso, mais gente compra – e isso movimenta a indústria.

Inflação em SP continua alta

Enquanto a indústria tenta engatar uma marcha a mais, a inflação continua a corroer os salários. O IPC-Fipe, que mede a inflação na cidade de São Paulo, ficou em 0,59% na primeira quadrissemana de abril, repetindo a variação de março. Isso significa que os preços dos produtos e serviços continuam subindo, o que pesa no bolso do consumidor paulistano.

Os vilões da vez são os Transportes (com alta de 1,10%) e a Alimentação (1,34%). Se o preço da gasolina sobe, por exemplo, não é só quem tem carro que sente: o custo do frete aumenta, e isso acaba se refletindo no preço de tudo que chega ao supermercado. E, claro, o aumento nos preços dos alimentos impacta diretamente o orçamento das famílias, especialmente as de baixa renda.

Nem tudo é notícia ruim

Olhando para os componentes do IPC-Fipe, nem tudo é motivo para desespero. A alta nos preços de Habitação e Vestuário perdeu força, indicando que esses itens podem estar mais controlados. Mas, no geral, a inflação em São Paulo ainda preocupa e exige atenção.

E o que isso significa para você?

No fim das contas, o que importa é como esses números afetam a sua vida. Se a indústria vai bem, a tendência é que mais vagas de emprego sejam criadas, aumentando a renda das famílias. Mas, se a inflação continua alta, esse ganho pode ser corroído pelo aumento dos preços. É como se você estivesse tentando encher um balde furado: a renda aumenta, mas os preços sobem e esvaziam o poder de compra.

Para tentar driblar a inflação, a dica é pesquisar preços, comparar marcas e, se possível, substituir produtos mais caros por opções mais em conta. No supermercado, por exemplo, trocar a carne vermelha pelo frango ou pelos ovos pode fazer uma boa diferença no final do mês. E, no dia a dia, economizar energia, água e evitar desperdícios são atitudes que ajudam a aliviar o orçamento.

O cenário econômico ainda é incerto, mas uma coisa é certa: com informação e planejamento, é possível enfrentar os desafios e proteger o seu dinheiro.