Sextou com notícia que não anima muito: a indústria da construção não anda lá muito bem, obrigado. E quando a construção não vai bem, o impacto chega rapidinho no nosso dia a dia, seja no preço dos materiais, no emprego ou na dificuldade de realizar o sonho da casa própria.
Os números mostram que janeiro foi o pior mês para o setor em nove anos. Segundo apuração do InfoMoney Economia, o índice que mede o nível de atividade da construção marcou 43,1 pontos. Pra entender a gravidade, é o pior resultado desde 2017, de acordo com a Sondagem Indústria da Construção, feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Por que a construção está patinando?
A resposta, como quase sempre, envolve os juros. Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, explicou que os juros altos encarecem o crédito, tanto para as empresas quanto para os consumidores. É como se tivessem jogado um balde de água fria nos investimentos e na demanda por imóveis.
E não é só isso. A inflação, apesar de estar dando sinais de arrefecimento, ainda corrói a renda das famílias, dificultando a compra da casa própria ou a reforma tão sonhada. Se o dinheiro está mais curto, a prioridade vira pagar as contas básicas, e o projeto de construir ou reformar acaba ficando para depois.
IGP-M em queda: um alívio no horizonte?
Uma boa notícia em meio a esse cenário é a queda do IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) em fevereiro. O índice, que mede a variação de preços no atacado, no varejo e na construção civil, recuou 0,73%, revertendo a alta de janeiro. Essa queda, puxada principalmente pela retração nos preços de commodities como minério de ferro, soja e café, pode trazer um alívio nos custos da construção civil.
É importante lembrar que o IGP-M é usado para reajustar muitos contratos, inclusive os de aluguel. Então, se você está pagando aluguel, essa queda pode significar uma correção menor no seu contrato nos próximos meses. Mas, calma, não espere uma redução drástica. A deflação acumulada em 12 meses ainda é de 2,67%, então o impacto no bolso será gradual.
Luz no fim do túnel: confiança da indústria melhora
Apesar dos pesares, nem tudo está perdido. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu pelo terceiro mês consecutivo em fevereiro, chegando a 96,7 pontos, segundo a FGV. Essa melhora na confiança indica que os empresários do setor estão um pouco mais otimistas em relação ao futuro.
Stéfano Pacini, economista do FGV Ibre, ponderou que ainda é cedo para cravar uma recuperação sustentável, já que a política monetária ainda é restritiva. Mas ele também apontou que a possível queda da Selic, o mercado de trabalho aquecido, o câmbio apreciado e a inflação mais controlada podem ser aliados da indústria nos próximos meses.
E o que esperar para o futuro?
A expectativa é que o Banco Central comece a reduzir a taxa Selic em breve, o que pode impulsionar o crédito e estimular os investimentos. Além disso, o governo tem sinalizado a intenção de aumentar os investimentos em infraestrutura, o que pode gerar novos empregos e aquecer a economia.
Vale lembrar que o setor da construção civil é um motor importante para a economia brasileira. Ele gera empregos, movimenta diversos setores da indústria e do comércio, e contribui para o desenvolvimento das cidades. Por isso, é fundamental que o governo continue implementando políticas que incentivem o crescimento do setor, como a desburocratização, a redução da carga tributária e a oferta de crédito mais acessível.
E para você que está pensando em construir ou reformar, a dica é pesquisar bastante, comparar preços e, se possível, esperar um pouco mais para ver se os juros caem. Com paciência e planejamento, dá para realizar o sonho da casa própria sem comprometer o orçamento.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.