Se você está de olho no orçamento, prepare-se: o aluguel vai pesar um pouco mais no bolso. O IGP-M, também conhecido como a “inflação do aluguel”, acelerou e subiu 0,52% em março, a maior alta desde fevereiro de 2025. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (30) pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Para quem está renovando o contrato de aluguel agora, essa alta significa um reajuste maior. Imagine que você paga R$ 2.000 de aluguel. Com a queda acumulada de 1,83% em 12 meses, o reajuste seria negativo, ou seja, o aluguel ficaria mais barato. Mas, se a inflação continuar a subir, essa diferença pode diminuir ou até mesmo desaparecer nos próximos meses.

Por que o aluguel está subindo?

A principal razão para essa aceleração é a alta do petróleo. O conflito no Oriente Médio tem pressionado os preços da commodity, que impacta diversos setores da economia, desde o transporte até a produção de bens industriais. E essa pressão chega, inevitavelmente, ao IGP-M.

O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que representa 60% do IGP-M e mede a variação dos preços no atacado, subiu 0,61% em março. Segundo a FGV, o IPA segue sofrendo influência da agropecuária, com destaque para a alta nos preços de bovinos, ovos, leite, feijão e milho.

E o que isso tem a ver com a economia americana?

Apesar de o IGP-M refletir principalmente fatores internos, a economia global também tem sua parcela de influência. As decisões do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, e a situação da dívida pública americana podem afetar o câmbio e, consequentemente, os preços de produtos importados e commodities como o petróleo.

Recentemente, Jerome Powell, presidente do Fed, sinalizou que a instituição deve manter a taxa de juros americana elevada por mais tempo para controlar a inflação por lá. Essa postura pode fortalecer o dólar, encarecendo as importações e pressionando ainda mais os preços no Brasil.

O que esperar para os próximos meses?

É difícil cravar uma previsão, mas a expectativa é que o IGP-M continue volátil nos próximos meses, influenciado tanto por fatores internos quanto externos. A situação no Oriente Médio, as decisões do Fed e o cenário político-econômico brasileiro serão determinantes para o comportamento do índice.

Para o consumidor, a dica é acompanhar de perto a evolução do IGP-M e tentar negociar o reajuste do aluguel com o proprietário. Em alguns casos, pode valer a pena buscar alternativas, como mudar para um imóvel menor ou procurar um novo lugar com um aluguel mais em conta.

Afinal, em tempos de incerteza, cada real economizado faz a diferença. E, como diz o ditado, “de grão em grão, a galinha enche o papo”. Ou, no nosso caso, de real em real, o aluguel não pesa tanto no bolso.