O café da manhã de domingo, aquele com pão fresco, queijo e mais alguns mimos, está pesando mais no bolso do brasileiro. Segundo dados recentes do Dieese, o custo da cesta básica, essencial para o sustento de muitas famílias, subiu em todas as 27 capitais do país. E não é a primeira vez que isso acontece: pela segunda leitura consecutiva, as despesas com os alimentos essenciais aumentaram, mostrando que o poder de compra continua sob pressão.

São Paulo continua liderando a lista de cidades com o custo mais alto para a cesta básica, ultrapassando os R$ 900. Mas a alta não poupou ninguém. Em Porto Velho e Fortaleza, por exemplo, a disparada foi significativa. A situação é um reflexo direto da inflação, que impacta o preço de tudo, desde o arroz e feijão até o óleo de cozinha e a carne.

Enquanto a mesa do brasileiro fica mais cara, o cenário não é nada animador para os pequenos negócios. A indústria de pequeno porte no Brasil atravessa um momento delicado, registrando, no primeiro trimestre deste ano, o pior desempenho desde o início da pandemia de Covid-19, lá em 2020. O Índice de Desempenho, que mede a atividade fabril, caiu e se mantém abaixo da média histórica. O que isso significa na prática? Menos produção, menos oportunidades de emprego e um clima de incerteza que se arrasta.

A confiança do pequeno empresário industrial, aliás, está em baixa: já são 17 meses seguidos de pessimismo, com o índice de confiança em queda. Essa falta de otimismo se reflete na situação financeira das empresas, que também piorou no começo deste ano. É como um efeito dominó: sem confiança, o empresário segura investimentos, adia contratações e foca em manter a empresa funcionando.

Mas nem tudo são notícias ruins no front do comércio internacional. A balança comercial brasileira, que mede a diferença entre o que exportamos e o que importamos, fechou a primeira semana de maio com um superávit robusto de mais de US$ 2,7 bilhões. As exportações cresceram, impulsionadas principalmente pelo agronegócio e pela indústria de transformação. Isso é bom, pois mostra que o Brasil está vendendo bem seus produtos para o exterior, o que pode trazer dólares para o país e ajudar a equilibrar as contas.

No acumulado do ano, o superávit já ultrapassa os US$ 27 bilhões, um avanço considerável em relação ao mesmo período do ano passado. A projeção para o ano todo é otimista, indicando um saldo positivo considerável. Contudo, é preciso ficar atento a fatores externos. A guerra no Oriente Médio, por exemplo, pode gerar instabilidade nos preços de commodities, como o petróleo, o que tem reflexos globais e pode afetar o custo do frete e de insumos importados, encarecendo ainda mais os produtos que chegam à nossa prateleira.

Na China, por outro lado, a inflação ao consumidor deu um leve respiro, subindo 0,3% em abril. Um dos fatores apontados para essa alta é justamente a instabilidade no Oriente Médio, que afeta os preços globais, além de um aquecimento no consumo interno. Essa dinâmica, embora pareça distante, tem suas pontas conectadas com a nossa realidade. Preços de insumos importados, como eletrônicos ou peças para a indústria, podem ser influenciados por essas oscilações no mercado internacional.

Em resumo, o cenário econômico atual apresenta um contraste: por um lado, o Brasil tem tido um bom desempenho nas exportações. Por outro, a inflação corrói o poder de compra no mercado interno e a pequena indústria enfrenta dificuldades para se reerguer. Para o consumidor, a notícia é clara: o custo de vida segue elevado, exigindo um planejamento financeiro ainda mais cuidadoso para fechar as contas no fim do mês.