A notícia que a gente esperava veio nesta sexta-feira (10): a inflação oficial do Brasil, o IPCA, desacelerou em junho. O índice subiu 0,16% no mês, um respiro comparado aos 0,58% de maio. No acumulado de 12 meses, o avanço foi de 4,64%, um pouco abaixo do que o mercado projetava e também inferior aos 4,72% registrados até o mês anterior. Boas notícias? Sim, em parte. Mas vamos entender o que isso significa de fato para o seu dia a dia, porque o bolso do brasileiro não sentiu um alívio estrondoso ainda.
O que explica essa desaceleração?
O recuo na alta dos preços em junho tem um responsável principal: a categoria de Alimentos e Bebidas. Ela registrou uma queda de 0,24%, sendo o maior impacto negativo no índice geral do mês. Para a nossa alegria (ou pelo menos para uma parte dela), preços como os do café moído, frutas e carnes apresentaram deflação. Quem tem acompanhado o noticiário de perto, como nós aqui no The Brazil News, já percebia essa tendência de queda em alguns itens básicos. Em relação ao primeiro semestre, os alimentos consumidos em casa caíram 0,39%, o que é um bom sinal para quem vai às compras no supermercado.
Por outro lado, a conta de luz segue dando dor de cabeça. O grupo Habitação, impulsionado pela alta na energia elétrica residencial, foi o que mais pressionou o índice no mês. Apesar de ter desacelerado em relação a maio (de 1,22% para 0,63%), a energia elétrica residencial ainda subiu 1,53% em junho. Na minha leitura, os custos de habitação costumam ser um problema persistente no orçamento doméstico e a dificuldade em reduzir esses preços demonstra que o alívio geral da inflação ainda está longe de ser uma realidade consolidada para todas as famílias brasileiras.
E as metas do Banco Central?
A meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC) é de 3% ao ano, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, entre 1,5% e 4,5%. O resultado de junho, mesmo com a desaceleração, ainda nos coloca acima do teto da meta, em 4,64% acumulado em 12 meses. Isso significa que o BC ainda tem um trabalho considerável pela frente para trazer a inflação para um patamar mais confortável.
Lembro de cenários parecidos lá por 2021, quando a inflação surpreendeu para cima e o Banco Central teve que agir com mais firmeza para controlá-la. A diferença é que, naquele momento, tínhamos um cenário global de recuperação pós-pandemia com pressões de demanda muito fortes. Agora, o quadro é um pouco diferente, com alguns choques de oferta localizados e incertezas sobre o crescimento global.
O impacto direto no seu bolso
Essa desaceleração da inflação, mesmo que tímida, é um bom sinal para o poder de compra do brasileiro. Quando a inflação corre solta, o dinheiro que você ganha compra menos coisas. Uma inflação de 4,64% ao ano significa que, em média, o que custava R$ 100 no ano passado, agora custa R$ 104,64. A queda percentual no mês é um passo na direção certa para frear esse avanço e, quem sabe, começar a recuperar o poder de compra que foi corroído nos últimos anos.
No entanto, é fundamental observar que nem todos os grupos de despesas acompanham essa média. Se a sua casa depende muito de energia elétrica, por exemplo, o seu orçamento continua mais apertado. O mesmo vale para outros itens que, apesar de terem caído em junho, registraram altas expressivas no primeiro semestre. O feijão-carioca, por exemplo, subiu 8,31%, e a batata-inglesa 3,57% no período. É como observar diferentes termômetros em uma casa: um mostra que está mais frio em um cômodo, mas outro indica que está mais quente em outro, refletindo que o alívio da inflação não é uniforme para todos os itens.
E para os seus investimentos?
Em ambientes de inflação mais alta ou incerta, é comum ver um movimento de investidores buscando proteção. A renda fixa costuma ser a queridinha nesses cenários, pois oferece mais previsibilidade e segurança. No entanto, o relatório da Empiricus que acompanhamos indica que, em cenários como o atual, a diversidade de comportamentos na Bolsa de Valores se torna mais evidente. Ou seja, nem toda ação se comporta da mesma forma quando a inflação está no radar. Para quem busca diversificar e proteger o patrimônio, é preciso olhar com mais atenção para as oportunidades e riscos que cada tipo de investimento oferece, indo além da simples aposta em títulos públicos.
Acompanhamos com atenção o mercado de capitais e eventos como o IPO da Shein e a possível abertura de capital da SK Hynix são sinais de que há apetite por novos negócios. No entanto, essas movimentações precisam ser analisadas dentro do contexto macroeconômico global e brasileiro. A volatilidade no mercado financeiro é um reflexo da incerteza, e a inflação é, sem dúvida, um dos principais fatores que alimentam essa incerteza.
Próximos passos: o que esperar?
A desaceleração em junho é um alento, mas a luta contra a inflação está longe de terminar. A expectativa é que o Banco Central continue monitorando de perto os indicadores e, dependendo da evolução, pode haver novas sinalizações sobre a política monetária. Por ora, o cenário indica que a cautela deve continuar sendo a palavra de ordem para as famílias brasileiras e para os investidores.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.