A notícia é boa, mas não tão boa quanto poderia ser. O Brasil criou 255.321 vagas formais de emprego em fevereiro, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Parece um número animador, e é! Mas a expectativa era de que o mercado abrisse ainda mais postos de trabalho.
Pra gente ter uma ideia, economistas consultados pela Reuters esperavam a criação de 270.150 vagas. Ficamos um pouco abaixo da meta. O que isso significa na prática?
Serviços na ponta do lápis
Os números do Caged mostram que o setor de serviços continua sendo o motor da geração de empregos no país. Foram 177.953 novas vagas em fevereiro. Em seguida, aparecem a indústria (32.027), a construção (31.099), a agropecuária (8.123) e o comércio (6.127).
É importante notar que todos os grandes setores da economia criaram empregos, o que indica uma recuperação disseminada, ainda que com ritmos diferentes.
Onde o emprego cresceu (e diminuiu)
Quase todos os estados brasileiros registraram saldo positivo na criação de empregos em fevereiro. Apenas Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas tiveram mais demissões do que contratações. Destaque para Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que apresentaram os maiores ganhos relativos.
No acumulado dos últimos 12 meses, o Brasil criou mais de 1 milhão de empregos formais. É um resultado importante, que mostra a resiliência do mercado de trabalho mesmo diante de um cenário econômico ainda desafiador.
Salário: queda preocupa
Apesar da criação de vagas, nem tudo são boas notícias. O salário médio de admissão em fevereiro foi de R$2.346,97, uma queda de 2,3% em relação ao valor de R$2.402,88 de janeiro. Essa redução salarial pode ser um reflexo da pressão inflacionária, que corrói o poder de compra dos trabalhadores.
E por falar em inflação, é bom ficar de olho nos preços dos combustíveis. A gasolina, o diesel e o GLP (gás de cozinha) têm um peso importante no orçamento das famílias brasileiras. A política de preços da Petrobras, portanto, impacta diretamente o custo de vida da população.
O que esperar do futuro?
É difícil prever o que vai acontecer nos próximos meses, mas alguns fatores podem influenciar o mercado de trabalho. A aprovação de reformas estruturais, como a tributária, pode impulsionar o crescimento econômico e gerar mais empregos. Por outro lado, um cenário internacional mais turbulento, com aumento das taxas de juros nos Estados Unidos e instabilidade geopolítica, pode frear a retomada.
Para quem está procurando emprego, a dica é ficar atento às áreas que estão contratando mais, como o setor de serviços e a construção civil. E para quem já está empregado, vale a pena investir em qualificação profissional para se manter competitivo no mercado.
No fim das contas, o mercado de trabalho é como uma gangorra: sobe e desce de acordo com a economia. É preciso estar preparado para os altos e baixos.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.