Enquanto alguns produtos no supermercado andam assustando, uma boa notícia para quem não dispensa um ovo: os preços estão mais camaradas nesta Quaresma. Mas, no campo, a situação é um pouco mais delicada, com a proteção das lavouras em baixa. Vamos entender esses dois lados da moeda?

Ovos: alívio no bolso na Quaresma

Se você é do time que troca a carne vermelha por ovos na Quaresma, pode comemorar. Uma pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), em Piracicaba (SP), mostra que o preço dos ovos está mais baixo este ano em relação aos últimos dois. Em Bastos (SP), principal polo produtor do estado, a caixa com 30 dúzias de ovos comerciais (aqueles vendidos no atacado para os mercados) chegou a custar R$ 174,03 (ovos brancos) e R$ 201,78 (ovos vermelhos) durante a Quaresma. Pode parecer muito, mas em 2025, os preços chegaram a R$ 210,74 e R$ 239,73, respectivamente.

Essa queda, segundo o Cepea, é reflexo de um mercado que já vinha enfraquecido desde o ano passado. Em janeiro de 2026, inclusive, a média dos preços foi a menor dos últimos seis anos em diversas regiões monitoradas.

O que isso significa para você?

Significa que, na hora de comprar ovos no mercado, você deve sentir um alívio no bolso. Claro, os preços podem variar de acordo com a região e o tipo de ovo, mas a tendência é de que estejam mais acessíveis do que nos últimos anos. Uma boa notícia em tempos de inflação ainda persistente em outros setores!

Seguro Rural: proteção em baixa no campo

Enquanto o preço dos ovos sorri para o consumidor, o seguro rural acende um sinal de alerta. A área de lavouras protegidas por esse tipo de seguro despencou 76% em apenas cinco anos no Brasil. Em 2021, eram 13,7 milhões de hectares segurados. Em 2025, esse número caiu para 3,2 milhões de hectares. Os dados foram divulgados durante o evento Diálogo Setorial: Seguros, Crédito e Agronegócio, em Brasília.

Não é só a área segurada que diminuiu. A arrecadação do setor também sentiu o baque, com uma queda de R$ 1,3 bilhão só em 2025. Essa retração acende um alerta para a vulnerabilidade do agronegócio brasileiro, que depende muito das condições climáticas e está sujeito a perdas significativas em caso de eventos como secas, enchentes e geadas.

Por que isso importa para você?

A falta de seguro rural pode ter um efeito cascata na economia. Se o produtor perde a lavoura por causa de um evento climático e não tem seguro, ele pode ter dificuldades para pagar suas contas, investir na próxima safra e até mesmo manter a produção. Isso pode levar à diminuição da oferta de alimentos e, consequentemente, ao aumento dos preços no supermercado. Além disso, a instabilidade no setor agrícola pode afetar o emprego e a renda em diversas regiões do país. A falta de seguro rural pode gerar um efeito em cadeia, impactando desde o produtor até o consumidor final.

Bancos digitais no agro: uma luz no fim do túnel?

Diante desse cenário, a entrada de bancos digitais no agronegócio pode trazer novas perspectivas. Instituições como a Digimais e o BTG Pactual têm investido em soluções financeiras para o setor, incluindo linhas de crédito e seguros. A recente aquisição de parte da carteira de clientes do Agibank pelo BTG, por exemplo, mostra o apetite dos bancos digitais por esse mercado.

A promessa é de mais agilidade, menos burocracia e taxas mais competitivas, o que pode facilitar o acesso dos produtores a seguros e outros produtos financeiros. Resta saber se essa onda de digitalização vai conseguir reverter a tendência de queda na área de lavouras protegidas e trazer mais segurança para o campo. Afinal, um campo protegido garante a segurança alimentar para todos nós.