Sabe quando você está com sede e alguém abre a torneira bem fraquinho? Demora uma eternidade pra encher o copo. A situação do petróleo na Venezuela era mais ou menos essa: muita reserva, mas pouca produção por causa das sanções dos Estados Unidos. Agora, a torneira parece que vai abrir um pouco mais.
Os EUA emitiram uma licença geral que permite o fornecimento de bens, tecnologia e serviços americanos para a exploração e produção de petróleo e gás na Venezuela. A medida, segundo a agência Reuters, era esperada e pode ajudar a turbinar a produção no país vizinho.
Por que essa decisão dos EUA?
Desde que forças americanas capturaram o presidente Nicolás Maduro no início de janeiro e Delcy Rodríguez assumiu interinamente, os EUA vêm afrouxando as restrições à indústria energética venezuelana. A nova liderança fechou um acordo de US$ 2 bilhões para fornecimento de petróleo aos americanos. Ou seja, os EUA precisam do petróleo venezuelano, e a Venezuela precisa da tecnologia e dos investimentos americanos para aumentar sua produção.
Para entender a dimensão, empresas que atuam no setor precisam da autorização dos EUA para usar equipamentos especializados e importar plataformas essenciais para expandir a produção, que hoje gira em torno de 1 milhão de barris por dia. Imagine que você quer construir uma casa, mas não pode comprar cimento ou contratar um pedreiro. Fica difícil, né?
O que isso significa para o Brasil?
Aqui é que a coisa fica interessante para o nosso bolso. Se a produção de petróleo na Venezuela aumentar, a oferta global também cresce. E, como você deve lembrar da lei da oferta e da procura, mais oferta tende a significar preços menores.
Gasolina mais barata? Talvez
O petróleo é a matéria-prima da gasolina, do diesel e de outros combustíveis. Se o preço do petróleo cai, teoricamente, o preço nas bombas também deveria cair. Mas calma! Não é tão simples assim. O preço da gasolina no Brasil depende de vários fatores, como a cotação do dólar, os impostos e a política de preços da Petrobras.
Se o dólar subir muito, por exemplo, o efeito da queda do petróleo pode ser anulado. Ou, se o governo decidir aumentar os impostos sobre os combustíveis, o preço pode até subir, mesmo com o petróleo mais barato.
Menos pressão na inflação
Mesmo que a gasolina não fique tão mais barata assim, a medida pode ajudar a controlar a inflação. Combustíveis mais baratos impactam os custos de transporte, que por sua vez afetam o preço de praticamente tudo que consumimos, desde alimentos até roupas e eletrodomésticos.
É como um efeito dominó: um tombo no preço do petróleo pode derrubar outros preços na sequência. Segundo economistas, essa pode ser uma ajuda importante para o Banco Central controlar a inflação e, quem sabe, começar a reduzir os juros mais cedo.
E o futuro?
É importante lembrar que a situação na Venezuela ainda é instável. A produção de petróleo não vai explodir da noite para o dia. Além disso, a licença dos EUA tem algumas condições, como a exigência de que os contratos sigam as leis americanas e as disputas sejam resolvidas nos Estados Unidos.
Mas, no geral, a notícia é positiva. Se a Venezuela conseguir aumentar sua produção de petróleo de forma consistente, isso pode trazer um alívio para os preços globais de energia e, consequentemente, para o bolso do brasileiro. Resta saber se essa torneira vai realmente jorrar e como o governo brasileiro vai reagir a essa nova dinâmica no mercado de petróleo.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.