A novela dos reajustes de planos de saúde ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (29). A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) definiu que o aumento máximo permitido para as mensalidades de planos de saúde individuais e familiares será de 5,11% no período de maio de 2026 a abril de 2027. A decisão impacta diretamente cerca de 7,7 milhões de brasileiros, o que representa aproximadamente 14,5% do total de usuários de planos médicos no país.
Para quem tem um plano de saúde individual ou familiar, essa notícia pode significar um alívio no bolso. O percentual aprovado pela ANS é o menor desde 2021, quando houve uma redução excepcional devido aos efeitos da pandemia de Covid-19. Em comparação com o ano passado, o teto de 5,11% ficou abaixo dos 6,06% autorizados anteriormente. É como se a conta do supermercado subisse um pouco menos do que se esperava, mas ainda assim, a conta vem mais alta.
É importante saber quem está nessa conta. O reajuste vale para contratos individuais e familiares firmados a partir de janeiro de 1999 ou que foram adaptados à Lei dos Planos de Saúde. A aplicação desse percentual não acontece de uma vez só para todo mundo. As operadoras só podem cobrar o novo valor no mês de aniversário do contrato. Ou seja, se o seu plano foi contratado em junho, por exemplo, o aumento começará a valer a partir de julho ou, no máximo, agosto, com o pagamento retroativo referente ao mês de aniversário.
Por que o reajuste?
A ANS justifica o percentual com base na variação das despesas assistenciais das operadoras. Em termos simples, é o custo que as empresas têm para oferecer os serviços médicos e hospitalares. Segundo dados da própria agência, as despesas com saúde por beneficiário desses planos registraram um aumento de 8,32% em 2025 na comparação com o ano anterior. Esse crescimento é explicado tanto pelo encarecimento de serviços e materiais médicos quanto por mudanças no perfil dos pacientes, que talvez estejam usando mais os serviços, e pela inclusão de novos procedimentos que agora são obrigatórios na cobertura.
Pense nisso como se a sua casa precisasse de um conserto mais caro. O encanador cobra mais, o material para o telhado subiu de preço, e de repente, o custo para manter tudo funcionando aumenta. Com os planos de saúde, acontece algo parecido: os hospitais, laboratórios e médicos têm seus próprios custos, que acabam sendo repassados.
O que isso significa para o seu dia a dia?
Para os 7,7 milhões de brasileiros cobertos por esses planos, o aumento de 5,11% representa uma nova despesa mensal. Se antes você pagava R$ 500, por exemplo, e o seu mês de aniversário é em maio, o novo valor pode chegar a R$ 525,55. Embora pareça um pequeno percentual, quando somado a outras despesas mensais, pode fazer diferença no orçamento familiar. O teto menor é uma boa notícia, mas ainda é um aumento.
A ANS, em nota, informou que o órgão regulador está atento aos pedidos das operadoras e também às preocupações dos consumidores em relação aos planos coletivos. No entanto, o reajuste de 5,11% é especificamente para os planos individuais e familiares. Os planos coletivos, que cobrem uma fatia maior da população (cerca de 85,5%), geralmente têm negociações próprias entre empresas e operadoras, e seus reajustes podem ser diferentes, muitas vezes mais altos.
A trajetória de desaceleração nos reajustes é um ponto positivo. Se olharmos para trás, os aumentos já foram bem mais salgados, com índices acima de 13% em anos como 2015, 2016 e 2017, e chegando a 15,5% em 2022. A decisão de hoje, portanto, marca um momento de cautela por parte da ANS em pressionar ainda mais o bolso dos brasileiros, mas o tema saúde continua sendo um dos que mais pesam no orçamento de muitas famílias.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.