Sabe aquele bolo de milho quentinho ou a pipoca do fim de semana? Pois é, uma praga minúscula está ameaçando a produção de milho no Brasil e, no fim das contas, pode sobrar para o seu bolso. A cigarrinha-do-milho, como é conhecida, tem causado um estrago considerável nas lavouras, com prejuízos que somam bilhões de reais.

O tamanho do estrago

Um estudo recente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) revelou que a cigarrinha-do-milho causou perdas médias de 22,7% na safra de milho entre 2020 e 2024. Para colocar em números, isso significa um prejuízo anual de cerca de R$ 33,5 bilhões! No total, ao longo dessas quatro safras, o rombo acumulado chegou a R$ 133,1 bilhões, com a perda de aproximadamente 2 bilhões de sacas de 60 quilos, segundo a Embrapa.

Para dimensionar o problema, imagine o impacto em setores como a produção de ração animal ou a indústria alimentícia.

Por que a cigarrinha é tão prejudicial?

A cigarrinha-do-milho transmite doenças que afetam o desenvolvimento da planta, os chamados enfezamentos. Essas doenças reduzem a produtividade da lavoura e, em casos mais graves, podem levar à perda total da plantação. O estudo da Embrapa, realizado em parceria com a Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) e a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), foi publicado na revista internacional Crop Protection.

E o que isso tem a ver com você?

Você deve estar se perguntando: “Ok, mas o que eu tenho a ver com isso?”. A resposta é simples: tudo! O milho é um dos principais produtos agrícolas do Brasil e está presente em diversos alimentos que consumimos diariamente, seja diretamente (como a farinha de milho, o fubá e o óleo) ou indiretamente (na ração animal, que influencia o preço da carne, do leite e dos ovos). Por isso, qualquer problema na produção de milho pode afetar o preço dos alimentos no supermercado.

Além disso, o milho é um importante produto de exportação. Com a queda na produção, o Brasil pode perder espaço no mercado internacional, o que afeta a nossa balança comercial e, consequentemente, o crescimento econômico do país.

Impacto além da mesa: Inflação e economia global em alerta

A influência da cigarrinha não se restringe ao prato do dia a dia. A crise no setor do milho pode impulsionar a inflação, que, apesar de sinais de arrefecimento nos últimos meses, ainda preocupa. A pressão sobre os preços dos alimentos, somada a outros fatores como a instabilidade climática global intensificada pelo El Niño, pode dificultar o trabalho do Banco Central em controlar a inflação e manter a economia estável.

O Banco Mundial já alertou que eventos climáticos extremos podem impactar o crescimento econômico global, especialmente em países dependentes da agricultura, como o Brasil. Uma safra de milho comprometida pode gerar um efeito cascata, afetando não apenas o setor alimentício, mas também outros setores da economia, como o de transportes e o de embalagens.

O que esperar?

Ainda é cedo para prever o impacto total da cigarrinha-do-milho nos preços dos alimentos e na economia. No entanto, é importante ficar de olho nos próximos meses, pois a colheita da safra de inverno (a segunda safra de milho) deve revelar a real dimensão do problema. Se a produção for significativamente menor do que o esperado, prepare-se para pagar mais caro por alguns produtos no supermercado.

Para o futuro, a expectativa é que o governo e os produtores rurais invistam em medidas de controle da praga, como o uso de sementes mais resistentes e a adoção de práticas de manejo adequadas. Afinal, garantir a produção de milho é fundamental para a segurança alimentar do país e para o crescimento da nossa economia.