Sabe aquela história de que Brasília está sempre fervendo? Pois é, não é só de política que vive a capital. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) acaba de divulgar sua lista de prioridades para o Congresso em 2026, e tem muita coisa ali que pode mudar o dia a dia do brasileiro. São 15 projetos considerados cruciais para o setor, e a gente te conta os principais.

O que está na mira da indústria?

A CNI está de olho em 135 propostas que tramitam no Congresso, mas 15 delas são consideradas as mais importantes. A lista inclui temas como a redução da jornada de trabalho, o marco legal da política industrial e a nova lei geral de concessões. A entidade, que representa o setor industrial, apoia 60% das propostas e se posiciona contra 40%, segundo informações da Folha de S.Paulo.

Fim do 6x1 e jornada menor: mais descanso ou menos dinheiro?

Um dos pontos mais polêmicos é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho para 36 horas semanais, distribuídas em 4 dias. A PEC, de autoria da deputada Erika Hilton (Psol-SP), também acaba com a escala 6x1, aquela em que o trabalhador folga apenas um dia por semana. A CNI é contra a proposta, que tem apoio do governo e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

A alegação da indústria é que a medida pode aumentar os custos de produção e prejudicar a competitividade das empresas. Mas quem defende a redução da jornada argumenta que ela melhora a qualidade de vida do trabalhador e pode até aumentar a produtividade. Afinal, gente descansada trabalha melhor, certo? Mas a conta pode chegar na ponta para o trabalhador, com possíveis reduções salariais para compensar a folga extra.

Reforma do Código Civil: modernização ou complicação?

Outra prioridade da CNI é a reforma do Código Civil. A proposta é atualizar a legislação, que já tem mais de 20 anos, para adequá-la às novas realidades do mundo digital e das relações empresariais. O problema é que mexer em um texto tão importante pode gerar insegurança jurídica e abrir espaço para interpretações diferentes. A expectativa é que a discussão seja longa e complexa.

Para o cidadão comum, o Código Civil pode parecer algo distante, mas ele regula praticamente todas as relações privadas: contratos, propriedade, família, herança, etc. Uma mudança mal feita pode gerar problemas na hora de comprar um imóvel, abrir um negócio ou até mesmo se divorciar. Então, é bom ficar de olho.

Nova Lei de Concessões: mais investimentos ou mais burocracia?

A CNI também quer a aprovação do projeto de lei que atualiza a Lei de Concessões. A ideia é modernizar as regras para atrair mais investimentos privados em infraestrutura, como estradas, portos e aeroportos. O governo também está de olho nessa pauta, já que precisa de dinheiro para tocar obras importantes. Mas é preciso ter cuidado para não criar brechas para a corrupção e garantir que os serviços sejam de qualidade e com preços justos.

Se a lei for bem feita, o resultado pode ser mais estradas em bom estado, portos eficientes e aeroportos modernos. Isso facilita o transporte de mercadorias, reduz custos e impulsiona a economia. Mas, se a lei for mal feita, o resultado pode ser pedágios caros, serviços ruins e obras inacabadas. Ou seja, o impacto pode ser direto no bolso do consumidor e na qualidade dos serviços públicos.

E o que isso tem a ver com a balança comercial?

A agenda da CNI não fala diretamente sobre balança comercial, mas indiretamente está tudo conectado. Uma indústria forte e competitiva é fundamental para aumentar as exportações e reduzir as importações. E uma balança comercial saudável, com mais vendas do que compras, ajuda a fortalecer o real e a controlar a inflação. Afinal, se o Brasil vende mais soja e outros produtos para o exterior, entram mais dólares no país, o que ajuda a valorizar a nossa moeda.

Claro, a balança comercial não depende só da indústria. O agronegócio também tem um papel fundamental, especialmente na exportação de soja, que tem garantido um superávit importante nos últimos anos. Mas a indústria é importante para diversificar a pauta de exportações e agregar valor aos produtos brasileiros.

Em resumo: o que esperar?

A agenda legislativa da CNI mostra que o setor industrial está de olho em temas importantes para o futuro da economia brasileira. Algumas propostas podem gerar polêmica e resistência, mas outras têm potencial para destravar investimentos e modernizar a legislação. O importante é acompanhar de perto as discussões no Congresso e cobrar dos nossos representantes que tomem decisões pensando no bem-estar da população e no desenvolvimento do país. Afinal, no fim das contas, é a nossa vida que está em jogo.