A polêmica está de volta à mesa: o governo federal bateu o martelo e autorizou a recontratação da usina termelétrica a carvão de Candiota, no Rio Grande do Sul, pertencente ao grupo J&F. A decisão, publicada no Diário Oficial da União, garante a operação da usina até 2040, com uma receita fixa de R$ 859,8 milhões por ano.

Mas o que isso significa para você, que está aí pagando a conta de luz todo mês? E para o meio ambiente? Vamos por partes.

Por que recontratar uma usina a carvão?

A justificativa oficial é que a usina é crucial para a economia da região de Candiota, que depende da mineração de carvão. O fim do contrato anterior havia gerado incertezas sobre o futuro da comunidade local, e a recontratação surge como uma forma de garantir empregos e renda.

“É um alívio para as famílias que tiram seu sustento da atividade carbonífera”, comentou um morador da região em entrevista à rádio local. De fato, a manutenção da usina representa a continuidade de uma cadeia produtiva que emprega milhares de pessoas no Sul do país.

O preço da energia e o impacto ambiental

A questão é que a energia gerada a partir do carvão é mais cara e poluente do que outras fontes, como a hidrelétrica, a eólica e a solar. E essa diferença de custo acaba chegando na nossa conta de luz. Para ter uma ideia, a receita fixa da usina de Candiota é de R$ 540,27 por megawatt-hora (MWh). Esse valor está acima da média das fontes renováveis.

Funciona assim: quanto mais fontes caras (como o carvão) entram no sistema, mais cara fica a energia para todos nós. É como se, num restaurante, cada um pedisse um prato e a conta fosse dividida igualmente: quem pediu o filé mignon acaba pagando parte do pastel de vento do vizinho.

Além disso, a queima de carvão libera gases poluentes que contribuem para o aquecimento global e para a poluição do ar. Ambientalistas criticam a decisão do governo, argumentando que ela vai na contramão dos esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e investir em fontes de energia mais limpas.

Um retrocesso na transição energética?

O mundo todo está correndo para substituir as fontes de energia fóssil (como o carvão e o petróleo) por fontes renováveis (como a solar e a eólica). Essa mudança é fundamental para combater as mudanças climáticas e garantir um futuro mais sustentável.

A recontratação da usina a carvão da J&F, portanto, soa como um passo para trás nesse processo. Segundo analistas do setor, a decisão pode sinalizar uma menor ambição do governo em relação à transição energética, o que pode afastar investimentos em energias renováveis e prejudicar a imagem do Brasil no exterior.

E no meu bolso?

É difícil cravar exatamente quanto a recontratação da usina vai pesar na sua conta de luz. Afinal, o preço da energia depende de uma série de fatores, como o nível dos reservatórios das hidrelétricas, a demanda por eletricidade e as políticas do governo.

Mas uma coisa é certa: quanto mais energia cara entra no sistema, maior a pressão para que a conta de luz suba. E, no fim das contas, quem paga a conta é sempre o consumidor.

A boa notícia é que você pode tomar algumas medidas para reduzir o consumo de energia na sua casa e, assim, diminuir o impacto no seu bolso. Trocar as lâmpadas incandescentes por LED, evitar o uso do ar-condicionado em horários de pico e desligar os aparelhos eletrônicos quando não estiverem em uso são algumas dicas simples que podem fazer a diferença.

No fim das contas, a discussão sobre a recontratação da usina a carvão da J&F nos lembra que a energia que chega na nossa casa tem um preço – e não se trata apenas de dinheiro. É preciso equilibrar as necessidades econômicas da região de Candiota com os custos ambientais e o impacto na conta de luz de todos os brasileiros.