Atenção, motorista! Se você anda sentindo o peso da gasolina no bolso, saiba que esse aperto pode ir além do posto. A escalada do conflito entre EUA e Irã, com consequente alta do petróleo, acendeu um sinal de alerta no mercado financeiro e pode esfriar um pouco as expectativas de queda da Selic, a nossa taxa básica de juros.

Por que a guerra no Irã afeta a Selic?

Para entender a relação, imagine a seguinte situação: o Banco Central está dirigindo a economia brasileira. A Selic é o acelerador e o freio. Se a inflação está alta, ele pisa no freio (aumenta a Selic) para esfriar o consumo e conter os preços. Se a economia está patinando, ele acelera (diminui a Selic) para incentivar o crédito e o crescimento.

Acontece que a guerra no Irã jogou gasolina nessa fogueira. Com o petróleo mais caro, a gasolina sobe, o transporte fica mais caro, e assim por diante. Essa pressão inflacionária pode fazer o Banco Central repensar a estratégia de cortes na Selic. Afinal, ninguém quer ver a inflação descontrolada de novo, certo?

O que dizem os especialistas?

Economistas do Itaú (ITUB4) avaliam que existe menos espaço para corte de juros neste ano. Com isso, a equipe de macroeconomia do banco passou a projetar uma taxa Selic terminal em 13% ao ano, em 2026, ante os 12,25%.

“Existe menos espaço para corte de juros neste ano”, afirmam os analistas do banco. Ou seja, a “gordura” da política monetária, como disse o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, pode estar diminuindo.

O próprio presidente do Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano, Jerome Powell, reconheceu que os choques do petróleo e de energia já pressionam os preços, mas ponderou que é cedo para medir os impactos econômicos do conflito. Ele ressaltou que o Fed deve evitar reagir de forma precipitada a esse tipo de movimento, já que se trata de um choque de oferta, com efeito limitado da política monetária no curto prazo.

E o seu bolso, como fica?

Se a Selic não cair tanto quanto se esperava, os juros para o consumidor também demoram mais para baixar. Isso significa que o financiamento da casa própria, o crédito para comprar o carro e até mesmo o rotativo do cartão de crédito podem continuar pesando no orçamento. A boa notícia é que, para quem tem investimentos atrelados à Selic, como títulos do Tesouro Direto, a rentabilidade pode ser um pouco maior.

O caso do Galeão e a Selic

Ok, você deve estar se perguntando: o que a Selic tem a ver com o Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro? A resposta é: tudo está interligado na economia. Juros altos afetam os investimentos em infraestrutura, como a concessão do Galeão, que passou recentemente para as mãos da Aena após um leilão. Se o custo do dinheiro sobe, fica mais caro para a Aena modernizar o aeroporto, contratar funcionários e atrair mais voos. E quem sofre é o passageiro, com menos opções e preços mais altos.

A Aena, nova concessionária do aeroporto, terá que investir pesado para revitalizar o Galeão. A situação do aeroporto é delicada, com risco de perder importância para o Santos Dumont. Uma Selic mais alta pode dificultar esses investimentos e atrasar a recuperação do Galeão como um importante hub aeroportuário.

Em resumo: a Selic é um termômetro da economia, e as notícias vindas do Oriente Médio podem fazer esse termômetro subir um pouco. É hora de ficar de olho e planejar as finanças com cautela.