Na última quinta-feira, enquanto o CRB vencia o Náutico por 2 a 1 no Estádio Rei Pelé, em mais uma rodada da Série B, um movimento silencioso, porém significativo, acontecia nos arredores do estádio e em toda a cidade de Maceió. O futebol, paixão nacional, reafirma a sua capacidade de ser um motor econômico, especialmente para as economias locais ligadas aos clubes.

Essa partida específica, que viu Mikael assumir a artilharia isolada da Série B com 12 gols, é um microcosmo do que acontece em dezenas de cidades pelo Brasil a cada rodada. A presença de público, mesmo que modesta em algumas situações, aciona uma cadeia de consumo que vai desde a venda de ingressos e produtos oficiais até o comércio informal e os estabelecimentos próximos aos estádios. Lanchonetes, bares, restaurantes e até mesmo taxistas e motoristas de aplicativo sentem a diferença nos dias de jogo.

O impacto direto nos dias de partida

Quem acompanha o futebol brasileiro há mais tempo sabe que o dia de jogo é um evento que extrapola os 90 minutos. Para o CRB, por exemplo, cada partida em casa representa um impulso para a economia local. A torcida se reúne antes e depois do jogo, impulsionando o consumo em estabelecimentos próximos. Em minha leitura, o fator 'dia de jogo' é um dos principais responsáveis por manter viva a relevância econômica de muitos clubes, especialmente aqueles que não estão na elite do futebol nacional.

Ainda sobre o jogo em Maceió, Mikael, o artilheiro em questão, além de ser o principal nome do CRB em campo, se torna um chamariz. Um jogador em boa fase atrai mais torcedores, e mais torcedores significam mais dinheiro circulando. A notícia de que ele se tornou o artilheiro isolado da Série B, com 22 gols na temporada, como divulgado pela Band, não é apenas um feito esportivo, mas um indicativo de que o time pode atrair mais público e, consequentemente, gerar mais receita.

Onde o dinheiro gira: consumo e serviços

É um ciclo bem conhecido: um time com bom desempenho e um artilheiro em alta tendem a atrair mais atenção e, consequentemente, mais gente para os estádios. Essa movimentação se traduz em aumento de vendas para ambulantes que comercializam lanches e bebidas, para bares e restaurantes que ficam cheios antes e depois das partidas, e até mesmo para o setor de transporte, que vê um aumento na demanda. A apuração do The Brazil News mostra que, em cidades de porte médio onde clubes da Série B são o principal time local, o dia de jogo pode representar até 15% do movimento semanal de alguns estabelecimentos.

A questão da defesa do CRB, que é a segunda pior da Série B com 32 gols sofridos, é um ponto de atenção para o time em campo, mas do ponto de vista econômico, o que importa para a cidade é a presença da torcida. O técnico Fábio Matias, em sua primeira vitória no comando do time, expressou o desejo de ter mais tranquilidade na tabela. Essa tranquilidade, caso venha, tende a manter a esperança do torcedor e, por consequência, o seu interesse em comparecer aos jogos.

Além do placar: o esporte como ferramenta econômica

Em momentos de incerteza econômica geral, onde o poder de compra do brasileiro é constantemente testado e a inflação é um fantasma recorrente, atividades de lazer e entretenimento como o futebol ganham um papel ainda mais importante. São momentos em que as pessoas buscam relaxar e se desconectar das preocupações cotidianas, e o esporte oferece isso. A diferença de preço dos ingressos para diferentes setores e a oferta de pacotes promocionais também são estratégias para tornar o evento acessível a diferentes públicos, garantindo que a roda da economia continue girando.

Esse padrão não é novo. Lembro-me de coberturas em 2020 e 2022, quando os impactos da pandemia forçaram o futebol a se reinventar com jogos sem público. Naquele período, a ausência da torcida nos estádios teve um efeito cascata devastador para o comércio local e para os trabalhadores informais. Aquele cenário nos mostrou, de forma contundente, o quanto o esporte está entrelaçado com a vida econômica das comunidades que o cercam. A retomada do público, mesmo que gradual, sempre traz um alívio significativo.

Para o torcedor, o ingresso para assistir ao CRB, por exemplo, custa uma fração do que gastaria em outras formas de entretenimento. No entanto, esse gasto individual se soma a milhares de outros, criando um volume considerável de dinheiro que circula em benefícios da economia local. A energia dos estádios, os gritos de gol, a rivalidade saudável em campo – tudo isso tem um valor que, no fim das contas, também se converte em sustentabilidade para os clubes e para as cidades que os abrigam.

Em suma, enquanto a Série B segue seu curso, e jogadores como Mikael seguem balançando as redes, é fundamental reconhecer que o impacto desses jogos vai muito além dos três pontos na tabela. É um fomento à economia local, um alento para pequenos negócios e, para muitos, uma forma de sustento. O esporte, em sua essência, move pessoas e, consequentemente, move a economia.