Abril trouxe um respiro para o setor de serviços no Brasil. A atividade, que responde por uma fatia considerável da nossa economia, mostrou uma aceleração importante no mês passado. A pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) compilada pela S&P Global revelou que o índice subiu para 52,3 em abril, acima dos 50,1 de março. Para quem não está familiarizado, um número acima de 50 indica expansão. Basicamente, é como se a atividade de serviços estivesse ganhando mais força.

Essa melhora se deve, em grande parte, pela retomada no volume de novos negócios. Depois de um março um pouco mais tímido, as empresas de serviços viram suas carteiras de pedidos crescerem, o que, na prática, significa mais gente contratando. Isso pode se traduzir em mais oportunidades de trabalho temporário ou até mesmo na expansão de equipes em alguns setores. Além disso, o aumento na demanda pressionou os preços. A inflação dos serviços cobrados pelos provedores foi a mais alta em mais de um ano. As empresas repassaram aos clientes os custos crescentes de matérias-primas e insumos, um reflexo direto de um cenário global ainda volátil.

Falando em custos, a guerra no Oriente Médio continua sendo um fator de atenção. Os preços dos insumos usados pelas empresas de serviços dispararam em abril, atingindo o ritmo mais forte desde fevereiro de 2025. Combustível, energia, transporte e diversos materiais ficaram mais caros. As empresas relataram que a tensão na região levou fornecedores a aumentar suas tabelas de preço. Para nós, isso se reflete diretamente no custo final de diversos produtos e serviços que consumimos no dia a dia, desde o transporte até o preço de itens básicos que dependem de logística.

Mas nem tudo são flores. O agronegócio, um dos pilares da economia brasileira, enfrenta um obstáculo considerável. As exportações de carne bovina, carro-chefe do setor, correm o risco de cair cerca de 10% em 2026, em comparação com o ano anterior. O principal motivo? Restrições tarifárias impostas pela China, nosso maior comprador. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, a produção de carne bovina destinada ao gigante asiático pode até parar por volta de junho deste ano por conta dessa tarifa mais alta, que pode chegar a 55%.

A China, que em 2025 absorveu 1,7 milhão de toneladas das 3,5 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil, estabeleceu uma cota de 1,1 milhão de toneladas livre dessa tarifa mais alta. O volume já está quase sendo atingido, com as empresas correndo para exportar antes que a taxa proibitiva entre em vigor. A preocupação é grande: "Não há mercado que substitua a China", alertou Perosa. Essa perda de fôlego nas exportações pode ter várias consequências. Para as empresas produtoras, significa uma necessidade de buscar novos mercados, o que não é tarefa fácil nem rápida. Para o consumidor brasileiro, a expectativa é que haja uma pressão para aumentar o consumo interno de carne bovina, o que, em tese, poderia manter o mercado aquecido. No entanto, a redução das exportações pode impactar a cadeia produtiva, desde os pecuaristas até o trabalhador do frigorífico.

A situação exige atenção. Enquanto o setor de serviços demonstra resiliência e capacidade de adaptação aos custos crescentes, o agronegócio se vê em uma encruzilhada diplomática e comercial. O desafio agora é gerenciar essas diferentes dinâmicas para garantir que a economia brasileira continue a avançar, com o mínimo de impacto possível na vida de todos nós.